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Penso em você quando penso em ciúme (um relato paralelo)

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Chegou em casa sem pesar os passos, mas o coração pulsava um inchaço. Que angústia, que angústia . Sabia do que se tratava, tratava-se dela. Ela era o motivo desse despertar astucioso de um lugar que era dela, só dela e que justo por isso, tinha tanto medo de ter parte dela em outro lugar. Queria ela inteira e isso doía. Doía muito. Costumava viver as dores, sentia-se perfurada por qualquer fragmento de lembrança que trouxesse ela ou por qualquer proximidade que nunca, nunca era suficiente.  - Eu quero você só pra mim.  As palavras saíram no mesmo segundo que concluiu que aquilo era infame. Havia saído de si, deixado a porta da frente aberta, agora alguém ocupava o seu lugar íntimo, mas não era ela. Um demônio, talvez, não se sabe... Nunca se soube, já que aquele dia as fundiu.  O tempo de suspensão estava marcado na expressão de ambas - pausada, nítida e sincera. Reconheceram-se pela milésima vez (ninguém parou pra contar). Os olhos não passeavam, dos núcleos saía...

Encontro Com a Consciência: Dorso Prateado

Eis aqui o texto original, o manuscrito que escreve em tom de visão como se deu o primeiro encontro do ser humano com a consciência. Cuidado! O texto promete por fim a todo e qualquer tido tom de superioridade posta à realeza humana que governa todo o reino animal com distância de Deus. O texto sugere, em algumas palavras, o que é uma busca e também uma consequencia, do fim ao inicio.  C onta-se que entre uma árvore e outra, no meio de uma floresta tropical, vivia um grupo de primatas. Primatas, esses que olhando bastante de longe e com uma grande proteção, podemos até notar algum nível de semelhança ancestral com o corpo que vemos no espelho toda a vez que nos olhamos. Não! Não é para tanto, a nível de referência, juro que o texto será editado para chegar a uma melhor, enquanto não, serve a comparação e um pedido de desculpas aos que se sentiram ofendidos.  Voltando a história.  Eram quinze, doze... não se sabe exatamente. Histórias antigas costumam ser reeditad...
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Aqueles olhinhos os encararam, curiosos. O rapagão nunca se sentira tão constrangido, sem saber o que fazer. - Chega perto, toca nela. - Soou a voz feminina distante alguns metros. Se sentiu inseguro e hesitou diante daquela pequena vida. Vidinha , ele acabou dizendo em voz alta a palavra que pairava por sua mente enquanto admirava com cuidado aquela porçãozinha de gente enrolada em panos claros, limpos e decorados com ursinhos.  O homem aproximou a mão, esticou o indicador para acariciar a mãozinha da pequena, que logo segurou aquele dedo grande com determinação, sem hesitar. E parecia não querer soltar. Aceso, intrépido, feliz, completo o homem se virou para a mulher encostada na porta, que recebeu seu sorriso com outro sorriso largo, de aprovação. Ele não tinha deus, mas por um instante parou e agradeceu a alguma força divina, mesmo que desconhecida, por ter sido tão gentil em ter lhe dado aquele presente, tão bonito, que o estava fazendo se sentir o homem mais importan...

Segredos de consultório

Parou um instante e respirou fundo antes de bater à porta. Sabia que não precisava bater, mas quis que tudo corresse normalmente. Será que seria possível? - Entre. Obedeceu a voz. Uma voz que conhecia bem. Fechou a porta atrás de si e se direcionou ao centro do consultório. Olhou firme para o homem que estava de pé atrás de uma mesa, que ficava de frente a janelas de vidro que permitia ter uma vista privilegiada da cidade. Ele sorria. Um sorriso não- profissional , não-forçado. Ela não retribuiu, cortou aquela troca de olhares quando se encaminhou até o divã sem que ele pedisse. "Era para tudo correr de uma maneira normal", se repreendeu em pensamento. Ele era alto, usava óculos, beirava os cinquenta. Os cabelos rareados nunca foram tocados por tintas, davam a ele um tom charmoso , junto com o cavanhaque desenhado. A postura o denunciava ainda que estivesse fora do consultório. Dizem que depois dos 30 as pessoas assumem a postura das profissões que escolheram para si...