Penso em você quando penso em ciúme (um relato paralelo)
Chegou em casa sem pesar os passos, mas o coração pulsava um inchaço. Que angústia, que angústia . Sabia do que se tratava, tratava-se dela. Ela era o motivo desse despertar astucioso de um lugar que era dela, só dela e que justo por isso, tinha tanto medo de ter parte dela em outro lugar. Queria ela inteira e isso doía. Doía muito. Costumava viver as dores, sentia-se perfurada por qualquer fragmento de lembrança que trouxesse ela ou por qualquer proximidade que nunca, nunca era suficiente. - Eu quero você só pra mim. As palavras saíram no mesmo segundo que concluiu que aquilo era infame. Havia saído de si, deixado a porta da frente aberta, agora alguém ocupava o seu lugar íntimo, mas não era ela. Um demônio, talvez, não se sabe... Nunca se soube, já que aquele dia as fundiu. O tempo de suspensão estava marcado na expressão de ambas - pausada, nítida e sincera. Reconheceram-se pela milésima vez (ninguém parou pra contar). Os olhos não passeavam, dos núcleos saía...