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Mostrando postagens de junho, 2012

Bons frutos da terra.

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  No dia 19 de junho de 1889 o primeiro filme brasileiro foi rodado. Desde então, algumas mudanças aconteceram gradativamente no nosso estilo de fazer cinema. Há quem diga que foram muitas as mudanças, há quem diga que não, que a repetição é quase marca registrada do cinema nacional. Uma discussão divide opiniões sobre o assunto, pois existe quem acredite na repetição, nessa coisa de estar sempre tocando no mesmo assunto ou em assuntos semelhantes, de uma maneira que se repete e existem também os que veem o nosso cinema com outros olhos, aqueles que acreditam nas apostas dos temas antigos e atuais.  Eu sou dessa segunda gama de pessoas, as que acreditam e apostam no cinema nacional. É importante dizer que não gosto de todo e qualquer filme nacional que é produzido, mas esse nosso jeito um tanto... escrachado de fazer cinema muito me agrada. Não sei bem explicar em termos técnicos, mas eu sei dizer que as histórias me convencem, me envolvem e isso é o que mais preso nu...

um quebra-cabeça no céu

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O dia estava normal, o trânsito infernal. E eu não pretendia iniciar esse relato rimando, mas acontece... A verdade é que o dia tinha tudo pra não fugir do habitual. Pelo menos eu não esperava nada de especial daquela hora do dia, justo daquela. Dentro do coletivo, com um engarrafamento chato me fazendo só pensar em quantos minutos chegaria atrasada no compromisso. Foi então que o ônibus virou a esquina de uma rua - qual é  mesmo o nome? - e eu vi. Ah, eu vi! Um céu com núvens divididinhas como peças de um quebra-cabeça imenso, com partes encaixadas e outras bem soltas, bem perdidas. Pensei que, na certa, os jogadores haviam deixado o jogo incompleto.  E foi assim, sabe? Esse pensamento me preencheu até que eu chegasse ao meu destino. Deixei a imaginação vagar por aquela imensidão azul toda e sorri sozinha das conclusões e não-conclusões que cheguei.   Mais uma vez, um detalhe simples (mas grandioso pra mim) salvou o meu dia!
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Sentia-se aflita. Queria chorar, um choro silencioso e só seu, sem que ninguém pudesse ver.  Bom seria se as lágrimas fossem invisíveis. Olhou para os pés, que muitas vezes multilou na intenção de chegar ao ideal. Sentiu a vontade lhe apertar e  uma lágrima escapou. Enquanto calçava as sapatilhas de ponta pensou que não podia mais.  Os outros passavam apressados, ansiosos, cheios de si. E ela, a bailarina fora do ideal, se sentia multilada por dentro também. Aquela seria sua ultima vez, ela tinha certeza.

Liberdade e seus conceitos.

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Raul já dizia: é uma pena  eu não ser burro, não sofria tanto. Acho que essa frase nunca fez tanto sentido pra mim, ainda mais por eu ter descoberto ela justamente depois de ver o documentário "Da Servidão Moderna", assim como o conceito de liberdade segundo o olhar filosófico que andei estudando esses tempos atrás. Durante alguns dias esse conceito martelou na minha cabeça. Sim, porque é assustador se dar conta de que quando achamos que somos livres, é aí que estamos sendo escravos mesmo. E logo me lembro de outra frase, "convicções são cárceres". Segundo o conceito filosófico de liberdade, só somos livres de verdade quando tomamos conhecimento das causas que agem inevitávelmente sobre nós, as analisamos e aprendemos a agir sobre elas, modificá-las. Somos livres no mundo, não livres do mundo.  E sobre conhecer as causas que agem sobre nós, eu puxo o gancho pra falar do documentário. Da Servidão Moderna relata problemas reais, mostra cenas reai...

Um crachá, um título.

Sabe aquele momento desesperador em que uma pessoa te faz uma pergunta, te desafia ou te faz uma proposta e acaba te colocando de frente com você mesmo? Pois bem, talvez tenha sido nesse exato momento que eu tenha me dado conta de que existia um medo de me conhecer melhor. Eu tinha medo de mim. Não... Talvez medo nem seja a palavra certa, mas eu também não sei qual a palavra certa. Vai ver foi daí que surgiu essa obsessão de tentar entender as pessoas, observá-las, descreve-las. Porque de mim eu não queria saber, eu tinha desistido antes mesmo de tentar. E sabia que foi tentando se esconder de mim que eu me encontrei? Nos outros. Em cada ser observado eu via um pouquinho de mim e isso me fazia sentir mais viva, mais presente. Me encontro e me espalho assim. É como diz naquela letra nos Novos Baianos: "E pela lei natural dos encontros, eu deixo e recebo um tanto".  E o que começou como uma obsessão, um jeito de me esconder, virou um estilo de vida. Agora eu tenho crac...