eu aprendi que somos rotina, rotinas, com s de plural. isso porque somos essa contínua chave de fenda rodando pra desparafusar o parafuso. só isso mesmo. depois que desparafusa, fica solto e aí deixa de ser rotina, vira uma coisa que a gente não sabe. a gente é rotina porque somos insaciáveis pelo mesmo, de umas necessidades bem objetivas, bem contínuas. é melodia e harmonia guiadas fielmente pelo ritmo, emaranhadas. tudo acontece porque o tic tac do relógio é, porque o coração é, porque tudo bombeia. estamos em um ritmo escancarado de vida, seguimos obedientes, seguimos aflitos porque somos desobedientes.
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Mostrando postagens de outubro, 2017
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e são que na verdade os dias que eu escrevo, é pra não esquecer do saber permanente da língua a promiscuidade que é viver a aprender. muito se fala e pouco som faz mas isso tudo é saber, dentro dos pequenos prazeres suculentos, o que se preza é sempre o coentro pra finalizar, o prato, decorado. eu escrevo pra lembrar dos dias que viraram noites e eu escrevia pra esquecer todas as instintivas crises de chorar, ela no nada. eu parei de ser aquela, eu agora sou aquela e continua vindo a calhar. é um fim meio indeciso esse que não acaba.