Aqueles olhinhos os encararam, curiosos. O rapagão nunca se sentira tão constrangido, sem saber o que fazer.
- Chega perto, toca nela. - Soou a voz feminina distante alguns metros.
Se sentiu inseguro e hesitou diante daquela pequena vida. Vidinha, ele acabou dizendo em voz alta a palavra que pairava por sua mente enquanto admirava com cuidado aquela porçãozinha de gente enrolada em panos claros, limpos e decorados com ursinhos.
O homem aproximou a mão, esticou o indicador para acariciar a mãozinha da pequena, que logo segurou aquele dedo grande com determinação, sem hesitar. E parecia não querer soltar. Aceso, intrépido, feliz, completo o homem se virou para a mulher encostada na porta, que recebeu seu sorriso com outro sorriso largo, de aprovação.
Ele não tinha deus, mas por um instante parou e agradeceu a alguma força divina, mesmo que desconhecida, por ter sido tão gentil em ter lhe dado aquele presente, tão bonito, que o estava fazendo se sentir o homem mais importante de todo o mundo. Porque sim, só podia ser divino, só podia ser milagre.
- Minha vida. Minha Vidinha...

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