não tem como cortar caminho por um buraco
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Mostrando postagens de junho, 2018
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Encontro - I ato Vou te contar sobre o dia que nos conhecemos: . Eu estava com as saias e os cabelos ao vento. As saias combinavam com a tintura das unhas, as unicas duas que estavam pintadas. Tempo meio morno, em um parque de diversões da zona norte e picolé de limão escorrendo pelo meu braço. - Ô moço! - chamou uma menina mais a frente. - Me dá esse picolé aí, moço. E eu dei. Fiquei uns instantes olhando pra ela e ela pra mim, enquanto chupava o picolé. A gente sorriu e ela disse antes de sair andando: - Saia manêra . Fiquei ali mais alguns instantes e imaginei que aquela cena era um filme. O recorte estava lindo daquele quadro; aquela menina com o picolé de limão se afastando, saindo do quadro, as pessoas cruzando seu caminho para o outro lado do parque e ela alí, intacta naquela satisfação. Se mudasse o ângulo, abrisse o plano, lateralmente, eu ainda estaria lá, olhando aquela primeira cena, com minha saia e meus cabelos voando. Você apareceu. Não quero dar ...
Ebulição na pele
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A primeira vez que eu me queimei, eu tinha 4 anos de idade. Toda vez que me queimo, tento lembrar de como suportei aquela dor que certamente foi maior que a atual. Atual do momento atual da lembrança, no caso. Brincadeira de tempo mesmo. Brincadeira com fogo. Naquele caso, com água fervendo. Doeu, eu gritei, me acudiram, fui carregada no colo pela rua até entrar em um carro e chegar ao hospital. Lá, enquanto retiravam minha pele morta, eu ria. Ria de achar graça, do mesmo jeito que rio do meu desespero em não saber o que fazer quando algo me queima por dentro, de não saber o que fazer da minha própria vida, as vezes, do meu drama. Ajuda achar graça, ajuda a aliviar a dor - logo cedo eu descobri isso, logo cedo eu incorporei. Se estou viva aqui, agora, é porque acho graça mesmo quando não paro de arder.
equivale
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às vezes eu entro numa nóia ou numa onda de imaginar minha vida como um filme, dentro dessa série de momentos que a gente vai criando pra suprir o tédio ou pra construir algum cenário interessante porque o atual tá meio fodido. aí eu começo a pensar nos sentidos que as coisas podem tomar e sempre me deparo com dois caminhos. deve ser esse jogo dual que é nossa cabeça. e sim, eu chamo de dual mas não binário. dual, porque acontece ao mesmo tempo - indo e vindo. tô impressionada em me perceber assim em vários momentos e não sei bem se isso é paralisante ou comum demais pra ser só comigo. eu sei que de alguma maneira flui, pra algum lugar flui e vai fluindo nessa tensão que me mantém de pé porque é um jogo de equilíbrio. ano de libra. é, lembrei. é assustador como mesmo mudando o tempo todo, assumindo essa instabilidade doida, eu continuo sendo essa. porque sou dessa essência aquosa. eu reconheço e aqui estou. ir e vir constante. os momentos são tão generosos comigo que viver e sent...
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E o verbo, se fez carne. Ou, no início eu era uma criança com medo. Agora, continuo sendo. Eu nunca tive voz pra me desculpar, muito menos para me colocar. Eu só tinha voz para ficar em silêncio. E foi numa piada dita em voz baixa e ouvida por algum ouvido distraído que minha voz foi ouvida pela primeira vez. Fez rir aquele dia e depois dele continuou fazendo. Eu sei fazer rir, acho que sempre soube. Esse é o meu maior motivo de falar, de resto eu gostaria de ser muda. Não, não bati na madeira 3x. Agora não adianta expor uma dificuldade que eu tentei dizer mas não consegui. As dificuldades desmotivam a todos, vai ser difícil ser diferente. Eu desejo uma estrada longa pra esse corpo-lugar que me acolheu de alguma maneira, eu desejo estar de alguma maneira. Boa, sei lá. Tô me segurando pra não chorar. As palavras me desmancham igual larva e esse e-mail que eu, por acaso, reli na minha caixa diz o quanto eu não devo saber amar. Eu tenho uma pedra no luga...
Amarração sem corda
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Resta concluir que nunca fui a última pessoa possível, que não estive sempre contigo e que não vou alimentar desejo e reparação até que a morte nos separe. Alimentar algo pra além do nosso corpo é pedir demais, as vezes. Não me libertei do meu maior vício, por isso ele segue sendo o maior . Tive a impressão horrenda de estar em uma terapia de casal, mas sem casal e sem terapeuta. Era eu comigo depois do fim me dizendo o que fazer pra construir contigo, mas construir o que? Não teve planta! Planta, dos pés, no chão. Amor é gravidade e eu preciso sentir pesar pra viver isso. Sou leve e pesada. Depende do risco. Eu acordo olhando pra lua e prendo a respiração, porque me lembra. Tudo me lembra. Você me cercou em pensamento e isso era divertido, quando não era invasivo. Abri a porta de mim e como raio de luz ou ar, sei lá, você entrou. Parece nada, mas essa porta vive emperrando! É só drama sapatão, ué. Ninguém vai ler isso, não! A gente escreve, contorna, volta a dormir, sonha, ac...
Caminhada de fragilidade - dia 2
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Dessa vez, me lembrei da fragilidade no caminho. Ela partiu comigo estampado meu rosto com uma mancha transparente proveniente das lágrimas que, se fossem escuras, me fariam mudar de cor. Prometi que caminharia muito mais do que realmente caminhei. Minhas pernas agora baforam calor, dos ossos. Eles estão aqui. Está tudo aqui, comigo. Pensei, durante a caminhada, no meu objetivo. Qual era mesmo quando saí de casa? Sei lá, me acalmar. Sei lá, fazer alguma coisa com meu corpo. Sei lá, produzir energia, calor, adentrar lugares. Isso! Tinha a ver com perfurar. Eu acabei concluindo a cada passo que passava, que eu queria perfurar porque era assim que eu me sentia: sendo perfurada. Atravessamento é uma palavra muito brega pra estar aqui? Talvez, mas eu gosto tanto... Sei lá, eu gostava mais, ultimamente tenho achado brega, mas funciona aqui. Funciona sempre comigo, aff. Tenho dessas, de preferir o que funciona. Aí eu segui adiante, segui e segui, sabendo que precisava economizar liquido, esta...