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Mostrando postagens de março, 2017
o corpo antecede todas as linguagens todo mundo o acessa todo mundo mesmo até a exceção porque a exceção também tem corpo
Onde a coruja dorme?
Vivo cheia de teorias. Minhas. Que eu escrevo no meu facebook, no meu blog, nas minhas paredes, nos meus cadernos ou ficam só pairando pela minha cabeça cheia de ritmos. A minha teoria agora é que o preto é caos, que a não-cor é a cor que combina com tudo e não só com o luto, que caos é reagrupamento numa sociedade em que, FINALMENTE, descobriu-se que para ser coletivo é preciso ser individual e que discurso nenhum é tão específico a ponto de traduzir nossa experiência. O discurso não passa por cima da experiência! Para que as vozes sejam ouvidas também é preciso haver o silêncio ou não se ouve nada. Silêncio absoluto e muitas vozes (côro, barulho) comunicam muitas coisas, mas e se a gente experimentasse o diálogo? Tenho por mim que ficaríamos nesse lugar entre uma coisa e outra e ficar entre uma coisa e outra não é não ter opinião ou lugar, é buscar o equilíbrio, é ter milhares de possibilidades de encontrar um lugar, porque é isso mesmo, cada um tem o seu lugar. Socialmente falando,...

eu e os olhos da casa

lá fora uma luz amarelada e as árvores que, olhando rápido, parecem estáticas. esse é o reflexo da minha casa nesse momento que reflito sobre reflexos, sobre essa abertura que conhecemos como janela. sinto como se, através desse pedaço desencapado da estrutura sólida que me protejo, eu pudesse ver muita coisa, pudesse encontrar o mundo. existe um mundo ali fora e um mundo aqui dentro. engraçado... parece que nós, humanos, não cansamos de criar mundos e recortes e janelas e descobrir reflexos. parece que eu, durante todo o tempo que habitei uma estrutura sólida protetora sem uma mísera janela sequer, tive dificuldade de ver que para além daquele meu mundo, existia outro. e assim divido minha vida: antes da janela no quarto e depois da janela no quarto. parece que não, mas o que mudou é tão sutil que só é possível de ser notado quando se olha, pra dentro dos reflexos das minhas janelas. dos olhos de casa.
Pensa numa rua. Eu tô detrás do meu portão. Olho todo mundo passar, algumas pessoas eu nem consigo reparar, às vezes o movimento tá pouco, às vezes é tanta gente mas eu tô esperando só uma passar pra chamar pra entrar. Algumas pessoas eu reencontro e também chamo pra dentro, umas saem logo e outras ficam um tempo. Tem dias que eu tô chorando de melancolia porque quem eu queria que ficasse, decidiu ir embora e pediu pra eu abrir a porta. Noutros dias tem casa cheia, tem festa no portão, tem amor na varanda. Noutros dias, só amor e eu. Não abrigo ninguém por não querer, não obrigo ninguém a entrar e a sair. Muita gente passa por aqui. E eu, detrás do portão, fico no movimento do olhar atento, do abrir e do fechar. A vida passa pra quem tem a casa e pra quem procura abrigo.

namoradeira

ôxe por um acaso alguém te disse como namora uma namoradeira? não se namora uma namoradeira, rapaz a namoradeira que namora! a namoradeira coloca os cotovelos um apoiado e o outro deitado sobre aquela parte, a de baixo, que não sei nomear ela pensa que pensa e pensa vira a cabeça pra um lado e outro analisa, conclui, se enamora muito por cada detalhezinho que nem te conto pra depois de tanto suspirar abrir um largo sorriso do tamanho do mundo que ela se enamora todos os dias ao se deparar a namoradeira sente o cheiro que o vento trás a namoradeira toca com a profundidade dos olhinhos encantados cada pessoa que passa por ela e que trás lembrança de amor que trás cada uma, uma cor que trás um ruído ou uma cantoria que ela ama escutar é pra ter uma namoradeira na janela pra olhar pra ela e se perguntar: "que mania é essa de tanto namorar?" e gostar de se perder no sorriso de resposta que ela cisma de nunca apagar a namoradeira é ser em tanta medida que o...
Penso sobre o que é dedicar. Sobre a conjugação do verbo no meu dia-a-dia, nos meus encontros, em meio as experiências. O quanto dedicar é sinônimo de ceder, sinônimo de querer, sinônimo de partilhar. O quanto também dedicar pode ser sinônimo de tantas outras coisas que exigem, do outro lado - do lado que me lê, uma postura igual, o quanto nesse aspecto a cobrança não só faz parte, como é a ação que fere essa outra, tornando-a coadjuvante em sua própria frase, onde ela tem a força do verbo, mas não tem espaço para ser forte em sua essência de ação. > Verbo é movimento. Sair detrás dos arbustos, me libertar da espera de uma ação dedicada a mim, me faz entender que dedicar é um verbo do movimento de ir e vir, como todos os verbos que tratam da partilha. É da natureza das coisas que só são recebidas quando são dadas e só são dadas quando recebidas e não se consegue saber de onde vem o que. O número um não existe, o que existe é a força da mobilidade infinita da ação, q...
Se o mundo fosse só eu e você não teria graça, porque a graça é, em meio a tanta gente, te achar sem te procurar
e.n.corporação e.u.corporação