Chegou em casa sem pesar os passos, mas o coração pulsava um inchaço. Que angústia, que angústia. Sabia do que se tratava, tratava-se dela. Ela era o motivo desse despertar astucioso de um lugar que era dela, só dela e que justo por isso, tinha tanto medo de ter parte dela em outro lugar. Queria ela inteira e isso doía. Doía muito. Costumava viver as dores, sentia-se perfurada por qualquer fragmento de lembrança que trouxesse ela ou por qualquer proximidade que nunca, nunca era suficiente.
- Eu quero você só pra mim.
As palavras saíram no mesmo segundo que concluiu que aquilo era infame. Havia saído de si, deixado a porta da frente aberta, agora alguém ocupava o seu lugar íntimo, mas não era ela. Um demônio, talvez, não se sabe... Nunca se soube, já que aquele dia as fundiu.
O tempo de suspensão estava marcado na expressão de ambas - pausada, nítida e sincera. Reconheceram-se pela milésima vez (ninguém parou pra contar). Os olhos não passeavam, dos núcleos saíam apenas dois feixes que seguiam de um ponto a outro em linha reta, na precisão de um laser. Aproximaram-se de corpo inteiro. De pé permaneceram. Os ruídos de mundo ecoavam aquela única sentença dita com a objetividade emocional dura, robótica.
Ciúmes...
E cheiro começam com a mesma letra, começam com o mesmo odor. Sentir o cheiro dela era sentir-se próxima, com tudo que se pode carregar. Nosso corpo age pecaminosamente toda vez que reconhece alguém pelo cheiro, somos animais. Animais que não sabem amar sem causar alarde. Por isso, se aproximou mais. Uma das mãos iniciou um movimento ondulante pelas costas da outra, não interessa que outra. Os dedos invadiram o matagal de seus cabelos encontrando-se num puxão ao final do percurso.
E cheiro começam com a mesma letra, começam com o mesmo odor. Sentir o cheiro dela era sentir-se próxima, com tudo que se pode carregar. Nosso corpo age pecaminosamente toda vez que reconhece alguém pelo cheiro, somos animais. Animais que não sabem amar sem causar alarde. Por isso, se aproximou mais. Uma das mãos iniciou um movimento ondulante pelas costas da outra, não interessa que outra. Os dedos invadiram o matagal de seus cabelos encontrando-se num puxão ao final do percurso.
O primeiro gemido.
Palpitaram juntas. As pelves se atraíram num rito de umbigada, a efervescência da pele era um fenômeno palpável. Nada ali fora prescrito, mas tratava-se de um contrato. Outro gemido. As vezes os olhos fechavam em piscadas longas, mas elas ainda se olhavam. As vezes riam, cumplices, as vezes a mão se fechava, voltando a puxar raiz. A outra mão traçou o mesmo plano, mas ao chegar na nuca mudou de ideia e desceu deslizando as unhas pelas costas. Justo.
- Te deixo me querer só pra você. - disse, enfim, antes de repetir - Te deixo...
Riram do enigma, riram pra si. Os olhares, ambos, curvaram-se até as bocas, ambas. Queriam, precisavam se beijar. O toque agora era desmedido e as mãos traçavam percursos mais sinuosos, empurrando um corpo ao encontro do outro. Não fosse a proximidade, o choque seria mortal. Sentiram as linguas umedecerem-se por medo de estrago maior: morrerem secas. Ali, existia uma fonte e ela está molhada. A mulher que esperava nua, jorrava, enquanto a outra pôde bebericar o que chegara até a boca lambuzando os dois dedos. Afastou o rosto para que ela visse sua sede ser, temporariamente, saciada.
O primeiro tapa.
O rosto virou-se enquanto os sentidos se bagunçavam, num misto de deleite e surpresa. Lento e rápido. Afastaram-se mais. Ela virou de costas e permitiu ser vista, virou o rosto para ter certeza que a sensação de perfurar a pele era gerada pelo outro olhar. Despiu-se mais um pouco quando ergueu os cabelos, deixando a nuca agora totalmente exposta. As costas inteiras a mostra deliciavam-se em sutis desvelamentos desinibidos. Voltou a soltar os cabelos, as mãos deslizaram refazendo o contorno das laterais. Sabia que estava sendo acompanhada, mas queria ser mais.
- Vem cá...
O murmúrio saiu em voz baixa, quase sussurrada, em tom de quem prefere ser ouvida de perto. Ela foi, ela veio. Estavam prestes a passar o tempo que fosse preciso assim, na tormenta do que não muda, do que mais intensifica que espalha, do ciúme que vira meio - pretexto. A conversa durou a noite toda, desde a pausa para o cigarro, até o suor que foi chamado de outro nome e o beijo mais lambuzado que já se deram até hoje. Ciúme é assunto sério, por isso prescreveram, despidas, um ultimo sexo mas ficaram no primeiro. Nunca saíram do primeiro.
Amanheceu olhando para o escrito, ao lado da cama. Aquela noite ela esperaria nua.
- Te deixo me querer só pra você. - disse, enfim, antes de repetir - Te deixo...
Riram do enigma, riram pra si. Os olhares, ambos, curvaram-se até as bocas, ambas. Queriam, precisavam se beijar. O toque agora era desmedido e as mãos traçavam percursos mais sinuosos, empurrando um corpo ao encontro do outro. Não fosse a proximidade, o choque seria mortal. Sentiram as linguas umedecerem-se por medo de estrago maior: morrerem secas. Ali, existia uma fonte e ela está molhada. A mulher que esperava nua, jorrava, enquanto a outra pôde bebericar o que chegara até a boca lambuzando os dois dedos. Afastou o rosto para que ela visse sua sede ser, temporariamente, saciada.
O primeiro tapa.
O rosto virou-se enquanto os sentidos se bagunçavam, num misto de deleite e surpresa. Lento e rápido. Afastaram-se mais. Ela virou de costas e permitiu ser vista, virou o rosto para ter certeza que a sensação de perfurar a pele era gerada pelo outro olhar. Despiu-se mais um pouco quando ergueu os cabelos, deixando a nuca agora totalmente exposta. As costas inteiras a mostra deliciavam-se em sutis desvelamentos desinibidos. Voltou a soltar os cabelos, as mãos deslizaram refazendo o contorno das laterais. Sabia que estava sendo acompanhada, mas queria ser mais.
- Vem cá...
O murmúrio saiu em voz baixa, quase sussurrada, em tom de quem prefere ser ouvida de perto. Ela foi, ela veio. Estavam prestes a passar o tempo que fosse preciso assim, na tormenta do que não muda, do que mais intensifica que espalha, do ciúme que vira meio - pretexto. A conversa durou a noite toda, desde a pausa para o cigarro, até o suor que foi chamado de outro nome e o beijo mais lambuzado que já se deram até hoje. Ciúme é assunto sério, por isso prescreveram, despidas, um ultimo sexo mas ficaram no primeiro. Nunca saíram do primeiro.
Amanheceu olhando para o escrito, ao lado da cama. Aquela noite ela esperaria nua.
Nenhum comentário:
Postar um comentário