Eis aqui o texto original, o manuscrito que escreve em tom de visão como se deu o primeiro encontro do ser humano com a consciência. Cuidado! O texto promete por fim a todo e qualquer tido tom de superioridade posta à realeza humana que governa todo o reino animal com distância de Deus. O texto sugere, em algumas palavras, o que é uma busca e também uma consequencia, do fim ao inicio.
Conta-se que entre uma árvore e outra, no meio de uma floresta tropical, vivia um grupo de primatas. Primatas, esses que olhando bastante de longe e com uma grande proteção, podemos até notar algum nível de semelhança ancestral com o corpo que vemos no espelho toda a vez que nos olhamos. Não! Não é para tanto, a nível de referência, juro que o texto será editado para chegar a uma melhor, enquanto não, serve a comparação e um pedido de desculpas aos que se sentiram ofendidos.
Voltando a história.
Eram quinze, doze... não se sabe exatamente. Histórias antigas costumam ser reeditadas, ainda mais quando são de manuscritos encontrados em docs no google drive.O grupo era composto por primatas grandes, pequenos, mais gordos, mais magros, os bons em catar piolho, os que mais dormiam, os que só viviam juntos e os isolados. Fazia parte desse ultimo grupo, o primata que agora destaco. O gênero delx deve ser mencionado quando for achada sua certidão de nascimento no banco de dados do universo, ou seja, nunca, porém de antemão escrevo que: não era homem, era bicho.
Esse primata gostava de colocar-se mais isolado do grupo, gostava de observar a vista de alguns pontos, os mais altos de preferência. Vez ou outra, elx ia para cima de uma árvore dessas maiores, dessas que crescem por entre todas as outras e elx ia, subindo sempre mais, até alcançar topos de árvores cada vez maiores ou até uma das mais velhas gritar muito alto por ele. Ele voltava rápido, chegava perto do grupo afoito enquanto o esperavam preocupados e ao mesmo tempo bravos. "Droga! Assim você coloca a vida do bando em risco, cacete! Até parece que não sabe que a gente só pode fazer barulho quando for necessário!", os olhares eram como a tradução dessa fala. E elx jogava um olhar distraido sobre as coisas ao seu entorno, como se não se importasse com nada. Não se importava mesmo, ele só queria ganhar a pedra mais alta.
Ah... Esqueci de falar da pedra. Em toda a extensão do extenso território onde esse grupo de primatas vivia - junto de outras espécies de animais, claro - também vivia uma pedra. Uma enorme pedra que além de larga, é alta. Claro que existem árvores maiores de tamanho que essa pedra, mas ah... uma pedra grande, larga que sabe-se lá quanto tempo vive alí, tem lá seu respeito entre todos. Todos. Nenhum animal ousa subir no topo daquela pedra, nem os pássaros pousam em cima dela, a eles é apenas concedida a benção de olhá-la de frente, de lado, de todos os ângulos em pontos privilegiados em relação aos que caminham, rastejam, saltam, correm sobre a terra ou nadam no mar. Porém elx, o primata isolado, a admirava da ótica da coragem que nutria de pisar sobre ela.
Depois de treinar em muitas árvores, de aproximar-se da pedra e recostar as costas em sua superfície a fim de senti-la, depois de empurrá-la com toda força, rodeá-la, cheirá-la, beijá-la e até mesmo imprimir sua mão com sangue, depois do preparo, chegou o grande dia. Elx sabia que o dia chegaria, não sabia exatamente quando, mas sabia que dentro de si, o alarme dispararia. O grupo estava cada vez mais arisco com o companheiro solitário, nem os seus poucos chegados estavam reconhecendo o colega, que passava tão pouco tempo junto, que parecia estar se tornando outra coisa, que não era mais parte. As vezes tentavam bloquear seus afastamentos, as vezes o chamavam logo assim que saía e, mesmo fingindo não afetar-se com esse abismo, elx se afetava. Com o tempo, os poucos que insistiam em tê-lo presente, desistiram e até a mais velha que gritava por ele mais alto, esqueceu-se de chamá-lo.
Assim, elx foi se afastando. Algumas vezes se aproximava para observar o grupo de longe, noutras os avisava de aproximações indesejadas através de gritos, outras vezes se conectava apenas para delimitar a distância que já existia. Elx era mesmo diferente.
Foi difícil subir a pedra, sabia que quando começasse não poderia desistir. Chegou no topo da pedra perto do sol amanhecer, a noite se tornou sua auxiliar na subida. Olhou para o horizonte distante, olhou para um lado e outro, olhou para trás e em seguida, olhou para os pés com o distanciamento que um primata só olharia se estivesse de pé. E esse estava. Os pés acima da pedra anunciavam que o encontro finalmente havia se dado, agora era o momento de consumar. Em pensamento elx professou: "Eu não sou igual a eles, eu sou um ser humano." Dito isso, se jogou. Enquanto caía, um grito de liberdade ecoava por toda a extensão possível de floresta.
Foi difícil subir a pedra, sabia que quando começasse não poderia desistir. Chegou no topo da pedra perto do sol amanhecer, a noite se tornou sua auxiliar na subida. Olhou para o horizonte distante, olhou para um lado e outro, olhou para trás e em seguida, olhou para os pés com o distanciamento que um primata só olharia se estivesse de pé. E esse estava. Os pés acima da pedra anunciavam que o encontro finalmente havia se dado, agora era o momento de consumar. Em pensamento elx professou: "Eu não sou igual a eles, eu sou um ser humano." Dito isso, se jogou. Enquanto caía, um grito de liberdade ecoava por toda a extensão possível de floresta.
Nenhum dos seus procurou por elx.
O sol amanhecia amarelo.
O sol amanhecia amarelo.
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