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Janaína

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como ondas as palavras me chegaram de uma mulher que falava alto e decidido é hábito antigo ouvir o que os outros tem a falar em história linear ou devaneio ela se apresentou no meio de uma frase falou de um filho traficante de suas escolhas erradas e do amor que ela nunca hesitou em dar a ele a voz mais convicta quando dizia que estava do lado dele que nele creditava ela falou sobre ser negra de modo disfarçado eu virei vi seu rosto Janaína era seu nome me voltei a frente dia das mães e Janaína falando isso isso que ela fala todo dia isso que ela é todo dia Janaína é mãe tem colo e amor do tamanho da imensidão do mar ela é o mar

de onde vem a fé

minha preta velha está alí, na beirada da cama me pedindo calma, dizendo que meu choro de alegria e dor faz crescer nas agulhas dela linhas coloridas pra continuar o bordado da minha história, ela diz pra mim que eu vim com um caminho traçado e que tudo que me afeta converge num plano maior; meu colo grande, minha alma de mãe, minha impulsividade precisa, meu cuidado, meus passos lentos, minha transparência, minha insistência, minha cabeça, minha dança, tudo ela cuidou pra abrir caminho. disse que eu tinha que ir descalça pra sentir a terra nos pés, sentir os pés na terra. a sabedoria que ela me deu, as vezes me assusta, mas a mim ela também transferiu a calma de quem caminha a passos lentos, de presença despercebida, corpo atento, que sempre chega mesmo que sem pressa, mas sabendo que não tem mais tempo a perder. ela viu todos os mais jovens irem embora pra outras terras descobrirem seus caminhos, abriu a porta de casa pra todos e só desejou que voltassem com boas notícias. ela vive ...