Os ouvidos entupiram, os sacolejos não foram páreo para o sono que veio após sentar na poltrona reclinável. Acordei em Caxambu. Sonolenta, mareada, respirei um ar diferente e senti um cheiro novo, receptivo, uma atmosfera que logo me engoliu e eu me tornei pequena, como aquela cidade. Senti que tinha muito o que consumir para poder me tornar maior. Esse pensamento me abriu os ouvidos, literalmente. Mais sacolejos até chegar ao vale do Gamarra. A chuva nos surpreendeu pelo caminho e o cheiro de terra molhada foi assunto durante a viagem. A gente se surpreendia a cada momento, a criança que existe tomou lugar, tudo era novidade. Voltando a pequenez... Respirei fundo quando pisei no Espaço Lua Branca, após sair do carro. Eu precisava de ar, eu precisava reconhecer o lugar, como cachorros fazem. E mergulhei naquele mar de possibilidades naquele momento, naquela inspirada. Meus olhos buscavam ver, descobrir, mas bem depois eu percebi que algumas coisas meus olhos não viram, porém elas...