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Mostrando postagens de abril, 2015

O título que a nós dei ao acaso - 0

O nós desatou ...ou tornou-se cego - ponto 0

Dos sentidos, do agora, da dança preciosa - Dança in Natura

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Os ouvidos entupiram, os sacolejos não foram páreo para o sono que veio após sentar na poltrona reclinável. Acordei em Caxambu. Sonolenta, mareada, respirei um ar diferente e senti um cheiro novo, receptivo, uma atmosfera que logo me engoliu e eu me tornei pequena, como aquela cidade. Senti que tinha muito o que consumir para poder me tornar maior. Esse pensamento me abriu os ouvidos, literalmente. Mais sacolejos até chegar ao vale do Gamarra. A chuva nos surpreendeu pelo caminho e o cheiro de terra molhada foi assunto durante a viagem. A gente se surpreendia a cada momento, a criança que existe tomou lugar, tudo era novidade. Voltando a pequenez... Respirei fundo quando pisei no Espaço Lua Branca, após sair do carro. Eu precisava de ar, eu precisava reconhecer o lugar, como cachorros fazem. E mergulhei naquele mar de possibilidades naquele momento, naquela inspirada. Meus olhos buscavam ver, descobrir, mas bem depois eu percebi que algumas coisas meus olhos não viram, porém elas...

Paisagem do só

Dizem que, a medida que o tempo passa, nossa memória perde algumas lembranças e o que acontece ao revisitarmos essas lembranças seria uma mistura de imaginação e memória do que realmente aconteceu, uma espécie de reconstrução usando diferentes materiais. Mas a sensação que provoca a lembrança, ou vice versa, permanece. Não lembro ao certo se o quadro na parede da minha antiga casa, com apenas um cômodo que vou chamar de sala, tinha neve ou mato verde. Eu lembro de mato, de colina, de vale, rio. Era hipnótico o efeito sobre mim e a sensação que me dava. Talvez eu tivesse 6 ou 7 anos. Existia uma casa no alto da colina. E lembrando desse quadro enquanto escrevo, me recordo de outros, extremamente similares e que traziam sobre mim o mesmo efeito: de me transportar e me fazer sentir algo tão intenso que beira o indescritível. Eu tinha uma pergunta: como alguém poderia morar ali só? No meio do "nada"? Essa pergunta sugeria uma indignação, mas ao mesmo tempo que eu confirm...