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Mostrando postagens de janeiro, 2016

Oração

Visitei eras distantes, universos paralelos - uni versos paralelos. Te trouxe comigo. Me recordo de cada instante da minha nem sempre tão estimada mas presente vida e junto os pedaços, crio tecituras. Amar é um milagre e meus olhos enchem d'água quando falo de milagre, porque pense que até a palavra milagre é bonita, abre entrada na boca, fecha com um sorriso nos lábios. Nunca, nem quando criança que faz um esforço enorme pra se imaginar adulta, imaginei que o ponto mais importante na vida de um ser em construção era esse ponto invisível, o exercício do dar-receber. Penso em todas as pessoas que em algum momento já sorriram pra mim suas maiores alegrias e já choraram comigo suas maiores tristezas ou as menores, as amenas, e eu pude sentir ali que o melhor da vida era não passar por ela sozinho ainda que eu tenha aprendido que o encontro mais solene é quando estamos com nós mesmos, a sós. Hoje eu pude me dar conta que não podemos deixar de amar nunca, porque o amor é essa atmosfera...

silêncio III

acho que foi agora que te perdi no instante em que fechei o olho e vi e foi nesse instante que te vi te perdi

silêncio II

escrevo para que não veja esse texto mal pontuado, essa carta de amor digitalizada e mal costurada de alguém que espera vir o sono, espera vir o vento, espera ouvir tua voz. dias de surto e de amor vivido, mundificado e coagido, tudo que foi e é pra nós que de nós se desatou e nós ficamos a cá, sós. penso onde está, como respira, no que pensa e espero pelo dia de amanhã. nos completamos. sonhamos sonhos sem sentido, usamos vestidos, não queremos marido. te vejo de longe e perto. em maio faz um ano, tudo nada previsível, beirando o divisível e essa luta acirrada, avacalhada do amor-raíz contra o amor-líquido. eu ainda tenho um livro pra te dar. sofro hoje por não poder falar e nunca fui fã de esperar. aprendi, ou melhor, estou aprendendo. segure seus passos, me espere na saida, vai vendo. agonia, amor não esfria, será que acabou? penso no círculo vermelho, penso nas noites de sono e no abrir dos olhos pela manhã com o lembrete mental "ei, eu tenho você!". não se prive, não se...

silêncio I

ver nossos rostos refletidos no espelho da moldura amarela revoltar meu amor em gritos sentir teu corpo se contrair diante de mim chorar ao partir sonhar que estava te perdendo e ver que perdi pensar no silêncio que agora se instaura da espera, das horas das palavras ditas com força das palavras não ditas no alento, na necessidade pensar no amor que cedo todos os dias que te penso na chance que tivemos na esperança que não sei se devo nutrir da fala aos tropeços do jeito desesperado e do dia de hoje são imagens e eu só faço me despedir porque estou murcha, acuada, envergonhada, dolorida mas que vivas, longe ou perto que vivas aqui eu te amo

desajeito de valores

uma crise na bolsa de valores o dólar caiu tive que estipular uma meta 1.000.000 por mês e no adesivo estava escrito "dinheiro não trás felicidade" nem a pessoa amada, eu completo me pergunto o que trás o amor ou o que o mantém se nesse meu desajeito eu amo mesmo sem nada na carteira eu o mantenho em lágrimas e sussurros porque é isso ser pobre é foda mas viver sem amor é oco não que ele não rasgue rasga o rg e os dólares porque é aposta, é escolha e eu nem sei mas onde apostar rodar a cidade toda com o coração angustiado procurando pouso e sem saber respirar é de uma fragilidade fetal fatal e há quem diga que estive prestes a morrer mas de um polo a outro invertamos apenas a perspectiva pois está tudo lado-a-lado a bolsa o amor as escolhas