Sujeito Oculto
Passarem-se dias e nada. Na estrada nada passava, e o coração mal palpitava. Esperar doía mais que não respirar, de verdade incomodava. A vida parecia ter sumido enquanto olhava a estrada. Sem notícias dela, nem telegrama, telefonema, nem carta. Não mandava recado, parecia não querer mais nada. E a estrada vazia não falava, mandava sinais de desgraça, zombava do coração moribundo que não batia, mas sangrava. E lá se iam horas, lentas e rasas, imaginando acontecimentos enquanto olhava a estrada. O corpo já não respondia, não conseguia seguir, sentia que ainda que desse as costas e desistisse de esperar, sua esperança continuaria ali. O sujeito esperou até não mais poder, nem sinais ela deu. Morreu oculto, sem velório nem nada. Morreu perdido, enquanto esperava. (aqueles dias que se inventa amargura para nascerem textos assim)