A gente ainda vai.
Sabe, falando sozinha eu tinha o que dizer, discurso pronto, essas coisas. Até olhei no espelho, como se os meus olhos fossem os teus e mirei, foquei ali. Não fui fria no meu discurso, fui até bem sensível, coerente, clara. Depois eu te disse pra seguir a vida e te dei as costas. No meu ensaio, você até me pedia pra ficar, mas eu te olhava e balançava a cabeça, te dizendo com isso que ficar não era o melhor para mim, para nós, talvez. Tudo bem, na real a coisa foi diferente. Eu tremi, quase chorei, fiquei sem saber o que dizer e me vi pedindo aos céus que alguém gritasse denunciando um incêndio, que começasse um alvoroço na rua, sei lá! Eu queria que algo me tirasse dali. Por que para mim o fim tem que ser sempre bonitinho, bem resolvido, com as palavras mais significativas e a coerência nas alturas? Final é final e o que o determina é um ponto, pequeno, lá escondidinho. O ponto final. Precedido por palavras bonitas ou não, ele chega, irredutível, impiedoso, mostrando que dessa vez ...