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Mostrando postagens de setembro, 2011

A gente ainda vai.

Sabe, falando sozinha eu tinha o que dizer, discurso pronto, essas coisas. Até olhei no espelho, como se os meus olhos fossem os teus e mirei, foquei ali. Não fui fria no meu discurso, fui até bem sensível, coerente, clara. Depois eu te disse pra seguir a vida e te dei as costas. No meu ensaio, você até me pedia pra ficar, mas eu te olhava e balançava a cabeça, te dizendo com isso que ficar não era o melhor para mim, para nós, talvez. Tudo bem, na real a coisa foi diferente. Eu tremi, quase chorei, fiquei sem saber o que dizer e me vi pedindo aos céus que alguém gritasse denunciando um incêndio, que começasse um alvoroço na rua, sei lá! Eu queria que algo me tirasse dali. Por que para mim o fim tem que ser sempre bonitinho, bem resolvido, com as palavras mais significativas e a coerência nas alturas? Final é final e o que o determina é um ponto, pequeno, lá escondidinho. O ponto final. Precedido por palavras bonitas ou não, ele chega, irredutível, impiedoso, mostrando que dessa vez ...

Respirar fundo, me lembre

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Num dia desses uma amiga me disse: "Respira fundo, sempre que apertarem as coisas aí." Simples e sábio conselho. Respirar fundo, recolher muito ar, esse que é tão necessário a vida humana. É dele que vou lembrar precisar sempre que achar que a unica coisa de que necessito é você.

Eu e ela - a primavera.

A primavera chegou e eu nem percebi. Olha, é a minha estação favorita. Esqueci de celebrar. Tudo bem, hoje as coisas estão tão fora de controle e bagunçadas, que na primavera cabe inverno, outono e verão. Pode? Está tudo mesmo fora de controle e bagunçado, até dentro de mim. Tô igual a primavera. Era tempo de florecer, da neve secar com um sol que não castiga, é ameno. Tempo é, mas quem concerta o que já não tem mais concerto? Só restou o descontrole e, não tem jeito, a primavera vai continuar sendo essa com cara de inverno num dia, de verão no outro e de outono em outro. Sou eu. É a primavera. Talvez não tenha mais concerto.

Do outro lado, o sol

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Me distancio de você, correndo sem te dar as costas, contra o vento, na direção do sol. Um aceno. Se choras, eu já não posso ver, estou distante. Não queria que ficasse aí, me olhando. Te vejo diminuir, seus traços vão ficando apagados e confusos. Fecho os olhos e sinto doer, Do outro lado o sol, e eu preciso seguir Me viro para a luz de um sol que me sorria, como nos desenhos. Será que você ainda me observa, chora e acena? Sorrio para o sol desenhado num céu de novas chances Em silêncio, me dispeço. De qualquer maneira, eu te esperarei do outro lado.