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Mostrando postagens de dezembro, 2012

Enquanto subia

Desceu as escadas do ônibus lotado e sentiu-se aliviada por estar fora da lata, daquela lata cheia de atuns apertadinhos. Queria chegar, mas ainda teria de enfrentar uma ladeira antes de abrir as portas de casa e, enfim, descansar. Passou por uma escadinha que ligava à porta de um local fechado, que nunca teve certeza, mas achava ser uma oficina de carros ou algo parecido. Lembrava que quando pequena vinha correndo, subia as escadas até chegar no topo e ficava apoiada na grade, achando o maior barato olhar lá de cima, achando a maior graça em repetir aquilo toda vez que passava por alí. Hoje, sua cabeça quase batia no lugar onde antes para ela era o topo. Também não via mais graça em subir escadas.  Subiu mais, em passos arrastados, tentava se esforçar para ir mais rápido, mas o cansaço parecia pesar tanto sobre ela que suas pernas não lhe obedeciam. Atravessou a rua. Rua essa que fazia parte de uma encruzilhada, também a primeira rua que aprendeu a atravessar sozinha e desde ...

Janela aberta

Em minha janela batia sol. Em meu sonho, na minha janela batia sol.  Pediram para que eu me sentasse no peitoril da janela Eu, destemida de vez, me sentei contente. Sentia o sol e o vento em mim, em minha janela.   Sempre foi tudo que eu quis, uma janela grande para me sentar e enxergar as possibilidades. Me sentei e não olhei para baixo, só além.  O sol iluminou-me, graças a ela.  Minha janela, eu sonhei com ela.  Ela precisa ser aberta, aqui. Ela, minha janela.   Durante o sono, um sonho lindo e revelador. Acordada, descubro essa canção que me fez pensar que meu sonho era de verdade muito revelador.

Confesso hoje

Eu sofro toda vez que erram meu nome. Sofro quando recebo uma resposta torta, meio destraída, meio mal dada. E não é sofrimento pouco, não, é coisa forte, intensa, de passar dias pensando, lamentando, remoendo. Sofro em começar textos que não sei como terminar. Sou sensível. E digo mais, beira o lado patético isso tudo. Sinto vontade de abandonar a convivência social em tantos e tantos momentos, do dia. Porque, vou dizer, passa rápido isso tudo. Dói, me tira o sono, me faz suar nas mãos, chorar feito louca, pensar até fumaçar a cabeça, mas passa. Quem entende essa falta de chão minha? Eu não entendo. Não me entendo.  Meu pedido de começo de ano, antes de pular as ondas, comer a lentilha em cima da cadeira, antes de amarrar a fita é sempre o de dar um fim nessa loucura. Não dá, não dá. Enfim, pedido a gente não pode contar até realizar, não é?  Te digo, estou sofrendo e hoje resolvi confessar. O motivo é bobo, como de praxe, não sei nem se existe um e se existe, nem sei...

Sobre

Me perguntam o que sou como se eu precisasse ser muitas coisas. Mas eu não... Não quero ser mais nada além de mim.