Enquanto subia
Desceu as escadas do ônibus lotado e sentiu-se aliviada por estar fora da lata, daquela lata cheia de atuns apertadinhos. Queria chegar, mas ainda teria de enfrentar uma ladeira antes de abrir as portas de casa e, enfim, descansar. Passou por uma escadinha que ligava à porta de um local fechado, que nunca teve certeza, mas achava ser uma oficina de carros ou algo parecido. Lembrava que quando pequena vinha correndo, subia as escadas até chegar no topo e ficava apoiada na grade, achando o maior barato olhar lá de cima, achando a maior graça em repetir aquilo toda vez que passava por alí. Hoje, sua cabeça quase batia no lugar onde antes para ela era o topo. Também não via mais graça em subir escadas. Subiu mais, em passos arrastados, tentava se esforçar para ir mais rápido, mas o cansaço parecia pesar tanto sobre ela que suas pernas não lhe obedeciam. Atravessou a rua. Rua essa que fazia parte de uma encruzilhada, também a primeira rua que aprendeu a atravessar sozinha e desde ...