sábado, 2 de junho de 2018

Amarração sem corda

Resta concluir que nunca fui a última pessoa possível, que não estive sempre contigo e que não vou alimentar desejo e reparação até que a morte nos separe. Alimentar algo pra além do nosso corpo é pedir demais, as vezes. Não me libertei do meu maior vício, por isso ele segue sendo o maior.
Tive a impressão horrenda de estar em uma terapia de casal, mas sem casal e sem terapeuta. Era eu comigo depois do fim me dizendo o que fazer pra construir contigo, mas construir o que? Não teve planta! Planta, dos pés, no chão. Amor é gravidade e eu preciso sentir pesar pra viver isso.
Sou leve e pesada. Depende do risco.
Eu acordo olhando pra lua e prendo a respiração, porque me lembra. Tudo me lembra. Você me cercou em pensamento e isso era divertido, quando não era invasivo. Abri a porta de mim e como raio de luz ou ar, sei lá, você entrou. Parece nada, mas essa porta vive emperrando!
É só drama sapatão, ué. Ninguém vai ler isso, não! A gente escreve, contorna, volta a dormir, sonha, acorda e pisa no chão gelado de casa pra acordar. Acordar de ficar de pé, não de abrir o olho. E eu esperando que você sinta minha falta... Mas não, falta não é saudade e pra falta com culpa eu prefiro o não!
Fechei a porta. Não pra ninguém, mas pra ficar sozinha aqui dentro. Dou afeto daqui de dentro e as vezes saio pra um agito, mas aqui é meu lugar de investimento. Paredes rabiscadas, sol entrando pela lateral, lentes de aumento por toda parte, os gatos entram e saem livres (pra eles eu não fecho a porta nunca) e eu.
Nota mental: tudo isso que surgiu anteriormente também era nota mental mas não sei porque escrevi como se fosse música. Então, era só pra lembrar mesmo que antes de abrir a porta do meu cubículo (escrevo assim porque ainda é pequeno ou do tamanho das minhas conquistas ou apenas uma pesquisa pra saber de quanto espaço preciso) eu tenho de entender o que precisam fazer aqui dentro. A curiosidade matou o gato, mas tá, gato não tem receio de morrer eletrocutado, sufocado, assassinado nem nada, então tudo bem viver assim e ser gato, mas em cima dos dois pés, fodeu! É gente, fodeu! Eixo deslocado pra trás sempre e uns pés de desconfiança pra frases genéricas. Palavras quando bem escolhidas inflam o ego de um jeito saboroso, mas na hora de botar pra fora demora a sair, então... Atividade estomacal. Palavras podem ou não ter corpo, mas eu não tenho essa escolha. Tô ficando velha pra pactos. Presenteio com cactos.

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