sexta-feira, 1 de junho de 2018

Caminhada de fragilidade - dia 2

Dessa vez, me lembrei da fragilidade no caminho. Ela partiu comigo estampado meu rosto com uma mancha transparente proveniente das lágrimas que, se fossem escuras, me fariam mudar de cor. Prometi que caminharia muito mais do que realmente caminhei. Minhas pernas agora baforam calor, dos ossos. Eles estão aqui. Está tudo aqui, comigo. Pensei, durante a caminhada, no meu objetivo. Qual era mesmo quando saí de casa? Sei lá, me acalmar. Sei lá, fazer alguma coisa com meu corpo. Sei lá, produzir energia, calor, adentrar lugares. Isso! Tinha a ver com perfurar. Eu acabei concluindo a cada passo que passava, que eu queria perfurar porque era assim que eu me sentia: sendo perfurada. Atravessamento é uma palavra muito brega pra estar aqui? Talvez, mas eu gosto tanto... Sei lá, eu gostava mais, ultimamente tenho achado brega, mas funciona aqui. Funciona sempre comigo, aff. Tenho dessas, de preferir o que funciona. Aí eu segui adiante, segui e segui, sabendo que precisava economizar liquido, estava com uma pequena garrafinha de água pra além do meu armazenamento interno. Fui parando de chorar. Quando peguei o ônibus, passou rápido. Quando cheguei em casa e mandei mensagem pra Bia, ela disse que tinha demorado, mas eu senti que passou devagar. E ah, fui pega por uns detalhes românticos também. No caminho inteiro. A lua era um desses detalhes. E foi engraçado, porque a lua não é detalhe e ela tava muito amarelona quando brotou no céu de primeira. Fiquei pensando em procura, em desejo, em renovo, em tudo que a gente pode pensar de lindo quando olha pra ela. E sim, eu pensei em olhar pro mar também. Na verdade, eu senti. Quando cheguei, um convite me esperava e eu vi o mar, as estrelas e a lua refletida. Novamente foi procura, desejo, renovo, lembrança e um olhar que assimila tudo. Tudo.
Eu vou ter tudo que eu desejo, porque o meu desejo é reflexo de onde eu projeto ele. Eu projeto nela, na lua. E eu desejo ser imensidão nessa porra! Haja amor pra nós, né?

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