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Enquanto subia

Desceu as escadas do ônibus lotado e sentiu-se aliviada por estar fora da lata, daquela lata cheia de atuns apertadinhos. Queria chegar, mas ainda teria de enfrentar uma ladeira antes de abrir as portas de casa e, enfim, descansar. Passou por uma escadinha que ligava à porta de um local fechado, que nunca teve certeza, mas achava ser uma oficina de carros ou algo parecido. Lembrava que quando pequena vinha correndo, subia as escadas até chegar no topo e ficava apoiada na grade, achando o maior barato olhar lá de cima, achando a maior graça em repetir aquilo toda vez que passava por alí. Hoje, sua cabeça quase batia no lugar onde antes para ela era o topo. Também não via mais graça em subir escadas.  Subiu mais, em passos arrastados, tentava se esforçar para ir mais rápido, mas o cansaço parecia pesar tanto sobre ela que suas pernas não lhe obedeciam. Atravessou a rua. Rua essa que fazia parte de uma encruzilhada, também a primeira rua que aprendeu a atravessar sozinha e desde ...

um quebra-cabeça no céu

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O dia estava normal, o trânsito infernal. E eu não pretendia iniciar esse relato rimando, mas acontece... A verdade é que o dia tinha tudo pra não fugir do habitual. Pelo menos eu não esperava nada de especial daquela hora do dia, justo daquela. Dentro do coletivo, com um engarrafamento chato me fazendo só pensar em quantos minutos chegaria atrasada no compromisso. Foi então que o ônibus virou a esquina de uma rua - qual é  mesmo o nome? - e eu vi. Ah, eu vi! Um céu com núvens divididinhas como peças de um quebra-cabeça imenso, com partes encaixadas e outras bem soltas, bem perdidas. Pensei que, na certa, os jogadores haviam deixado o jogo incompleto.  E foi assim, sabe? Esse pensamento me preencheu até que eu chegasse ao meu destino. Deixei a imaginação vagar por aquela imensidão azul toda e sorri sozinha das conclusões e não-conclusões que cheguei.   Mais uma vez, um detalhe simples (mas grandioso pra mim) salvou o meu dia!

Sobre pesquisas e outras opções.

 Passando pelo centro da cidade hoje, fui abordada por uma mulher de prancheta na mão. Tirei meus fones e já ouvi ela dizer: "Ah, então você gosta de música. Posso fazer uma pesquisa com você?" E eu, nessa minha dificuldade de dizer não, disse que poderia sim. Tudo bem, não teria nada demais respoder umas perguntas para o IBGE (identifiquei logo no crachá dela), ainda mais relacionadas a música. Vieram as perguntas habituais de toda pesquisa, como o nome, idade, bairro onde mora, essas coisas e também coisas relacionadas a minha situação financeira... Respondi nos conformes e partimos para o próximo estágio da pesquisa, que era ouvir uma música e dizer com que frequencia eu ouvia músicas do tipo (a música era "Assim você mata papai", do Sorriso Maroto) e eu disse que eu nunca ouvia. Ela logo reagiu perguntando "Como assim? Você não gosta de pagode?" e eu balancei a cabeça negativamente. Só que a mocinha me pediu permissão para anotar que 'sim' ...

Vida. O que fazer dela?

Pois é, talvez os estudos em filosofia tenham me afetado um pouco, tenho me feito muitas perguntas radicais. Falando a verdade, antes mesmo de saber que essa era uma carecterística do ato de filosofar, eu já fazia isso. Agora, justamente nesse período da minha vida, tenho me visto como uma filósofa de verdade, com discípulos e tudo. Isso tudo porque a vida resolveu me presentear com um monte de escolhas difíceis (existem escolhas fáceis?), no meu caminho - reto até então - surgiram algumas bifurcações e surpresas. Está tudo muito complicado, minha gente... Mas é fato que essa fase chega pra todo mundo, até porque escolhas a gente faz desde o momento em que começamos a nos entender por gente. Há um momento, porém, que essas escolhas começam a afetar de maneira direta e irreversível nossa vida. Sim, porque estamos falando de tempo. Ele corre numa maratona sem fim e não espera. Seria ótimo se o tempo desse uma freadinha para que, pelo menos, pudéssemos pensar com calma sobre a faculdade...

Eu e ela - a primavera.

A primavera chegou e eu nem percebi. Olha, é a minha estação favorita. Esqueci de celebrar. Tudo bem, hoje as coisas estão tão fora de controle e bagunçadas, que na primavera cabe inverno, outono e verão. Pode? Está tudo mesmo fora de controle e bagunçado, até dentro de mim. Tô igual a primavera. Era tempo de florecer, da neve secar com um sol que não castiga, é ameno. Tempo é, mas quem concerta o que já não tem mais concerto? Só restou o descontrole e, não tem jeito, a primavera vai continuar sendo essa com cara de inverno num dia, de verão no outro e de outono em outro. Sou eu. É a primavera. Talvez não tenha mais concerto.

Nós, teus segredos e um fato meu

Acredite em mim, acredite. Está sendo difícil ter você como primeiro pensamento que me ocupa a mente todas as manhãs. Sinto falta do teu “bom dia’’, dado do teu jeito e que me trazia a certeza de que aquele dia seria especial. E eu, te desejando o mesmo esperava que, verdadeiramente, aquele teu dia fosse bom, como desejo que sejam todos. Desejava que você tivesse a minha certeza, que partilhasse comigo uma felicidade que eu não queria que fosse tão minha. Agora o nós deixou de existir, existe apenas eu e você, você em mim, eu com você. Acesa ainda está a chama, agora fraca, de uma esperança que teima, mas que já tem um fim certo. Tapo os olhos para não ver mais, ainda que mudo e sem cores, o filme que me tem como expectadora e você na direção. Não acredito mais que terei posse um dia da chave do teu baú de segredos, aquela que por muito tempo procurei, mas que você escondeu de mim e escondeu de você. Eu já não deposito em você uma importância maior do que a que você pode suportar, p...