segunda-feira, 21 de maio de 2012

Sobre pesquisas e outras opções.

 Passando pelo centro da cidade hoje, fui abordada por uma mulher de prancheta na mão. Tirei meus fones e já ouvi ela dizer: "Ah, então você gosta de música. Posso fazer uma pesquisa com você?" E eu, nessa minha dificuldade de dizer não, disse que poderia sim. Tudo bem, não teria nada demais respoder umas perguntas para o IBGE (identifiquei logo no crachá dela), ainda mais relacionadas a música. Vieram as perguntas habituais de toda pesquisa, como o nome, idade, bairro onde mora, essas coisas e também coisas relacionadas a minha situação financeira... Respondi nos conformes e partimos para o próximo estágio da pesquisa, que era ouvir uma música e dizer com que frequencia eu ouvia músicas do tipo (a música era "Assim você mata papai", do Sorriso Maroto) e eu disse que
eu nunca ouvia. Ela logo reagiu perguntando "Como assim? Você não gosta de pagode?" e eu balancei a cabeça negativamente. Só que a mocinha me pediu permissão para anotar que 'sim' no papel, só para ajudá-la e também para dar nota 8 à tal música. Não encrenquei, porque sabia que se ela não fizesse isso na minha frente, depois iria desconsiderar minhas respostas de qualquer jeito, mas sai da presença dela um tanto reflexiva... Quer dizer que eles manipulam as respostas sempre e só eu que não sabia disso? A intenção deles é provas que pobres, só ouvem um tipo de música? NADA contra pagodinho que toca na novela, mas eu precisava dizer que não ouvia e quando ela me perguntou sobre as rádios que eu costumava escutar, respondi as rádios que tocam musicas populares e musicas internacionais antigas, mas até nisso ela manipulou minha resposta. Absurdo. Antes eu tinha um pé atrás em relação a essas pesquisas, agora tenho os dois pés e o corpo todo. Nada de acreditar nessas estatísticas manipuladas que, como sempre, querem favorecer a classe dominante. É novidade que nosso país é desigual? Nenhuma, mas eu pensei que pelo menos isso poderia ser baseado na realidade, de que pobres também tem acesso a cultura e para nós, também existem outras opções. 




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