terça-feira, 14 de março de 2017

eu e os olhos da casa

lá fora uma luz amarelada e as árvores que, olhando rápido, parecem estáticas. esse é o reflexo da minha casa nesse momento que reflito sobre reflexos, sobre essa abertura que conhecemos como janela. sinto como se, através desse pedaço desencapado da estrutura sólida que me protejo, eu pudesse ver muita coisa, pudesse encontrar o mundo. existe um mundo ali fora e um mundo aqui dentro.
engraçado... parece que nós, humanos, não cansamos de criar mundos e recortes e janelas e descobrir reflexos. parece que eu, durante todo o tempo que habitei uma estrutura sólida protetora sem uma mísera janela sequer, tive dificuldade de ver que para além daquele meu mundo, existia outro. e assim divido minha vida: antes da janela no quarto e depois da janela no quarto. parece que não, mas o que mudou é tão sutil que só é possível de ser notado quando se olha, pra dentro dos reflexos das minhas janelas. dos olhos de casa.

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