sábado, 30 de janeiro de 2016

silêncio II

escrevo para que não veja esse texto mal pontuado, essa carta de amor digitalizada e mal costurada de alguém que espera vir o sono, espera vir o vento, espera ouvir tua voz. dias de surto e de amor vivido, mundificado e coagido, tudo que foi e é pra nós que de nós se desatou e nós ficamos a cá, sós. penso onde está, como respira, no que pensa e espero pelo dia de amanhã. nos completamos. sonhamos sonhos sem sentido, usamos vestidos, não queremos marido. te vejo de longe e perto. em maio faz um ano, tudo nada previsível, beirando o divisível e essa luta acirrada, avacalhada do amor-raíz contra o amor-líquido. eu ainda tenho um livro pra te dar. sofro hoje por não poder falar e nunca fui fã de esperar. aprendi, ou melhor, estou aprendendo. segure seus passos, me espere na saida, vai vendo. agonia, amor não esfria, será que acabou? penso no círculo vermelho, penso nas noites de sono e no abrir dos olhos pela manhã com o lembrete mental "ei, eu tenho você!". não se prive, não se abandone, corra, volte. ah, volte. esteja comigo, eu peço, que não seja tão doloroso, que seja bonito. quero que fique, pro café na cafeteira italiana, pro almoço na bandeja, pro lanche com pão careca, pra janta que esquecemos. eu não tenho tanto que dizer, mas quero que fique. sirva-se dos dias que planejamos e do amor que empenhamos. vale ouro. maio faz um ano e dói miudinho, sussurra baixinho seu nome, teu cheiro, teu beijo. diga meu nome e eu respondo porque estou aqui, desejando estar sempre te amando.


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