É como tatuagem: sente doer, incomoda, mas gosta porque tem uma coisa sendo feita ali, a dor é consequencia que se suporta, que se sente. A agulha é suave, mas deixa a marca, não precisa de força, é do lugar da precisão. A pele é furada, mas não machucada, não é preciso ir fundo pra imagem se fazer eterna. Se a camada atingida for a camada errada, aquilo inflama, cria cicatriz, o traço estoura, cria relevo e a imagem se desintegra. A imagem fica pra sempre ali, alterada pelo equívoco ou construída na camada certa, ela fica sempre ali. Bom é olhar para a imagem, tatuada, lembrar do peso que ela carrega e alegrar-se com ela, porque da pele ela não sai. Demora um tempo até cicatrizar, mas da dor a gente nem lembra mais...
Me justificando
Poupar palavras é muito o meu forte, ao menos no que diz respeito a fala, ao verbalizado. Já aqui pelo campo das palavras escritas não é lá do meu agrado! Na verdade, não é nada do meu agrado e precisão. Necessidade mesmo. Muita coisa precisa brotar aqui nem que seja só pela sensação de ter arrancado fora. É uma necessidade... Sabe quando a gente se mostra pra se proteger? Eu sinto que é isso, uma proteção que eu crio em mim com as palavras que criei pra dar rumo aos meus sentimentos. Eu tô sempre escrevendo com base no sentimento, por isso que pra escrever roteiro é um parto! Eu já anotei algumas ideias, imaginei outras, mas nada saiu além d'A Força. Quantas vezes eu já não pensei no que escrever mas não escrevi? Isso é cruel. Eu preciso ceder a essa necessidade como se cede a um desejo. Eu amo ceder aos meus desejos, me sinto vivo! E questionar esse sentimento é como questionar o meu corpo e os seus caminhos. Questionar? Eu tenho mais o que fazer com ele! ...
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