quinta-feira, 29 de setembro de 2011

A gente ainda vai.

Sabe, falando sozinha eu tinha o que dizer, discurso pronto, essas coisas. Até olhei no espelho, como se os meus olhos fossem os teus e mirei, foquei ali. Não fui fria no meu discurso, fui até bem sensível, coerente, clara. Depois eu te disse pra seguir a vida e te dei as costas. No meu ensaio, você até me pedia pra ficar, mas eu te olhava e balançava a cabeça, te dizendo com isso que ficar não era o melhor para mim, para nós, talvez.
Tudo bem, na real a coisa foi diferente. Eu tremi, quase chorei, fiquei sem saber o que dizer e me vi pedindo aos céus que alguém gritasse denunciando um incêndio, que começasse um alvoroço na rua, sei lá! Eu queria que algo me tirasse dali. Por que para mim o fim tem que ser sempre bonitinho, bem resolvido, com as palavras mais significativas e a coerência nas alturas? Final é final e o que o determina é um ponto, pequeno, lá escondidinho. O ponto final. Precedido por palavras bonitas ou não, ele chega, irredutível, impiedoso, mostrando que dessa vez não haverá reticências.
Eu falei tão pouco... Eu tinha muito a dizer. Tá legal, meu discurso furou, eu não lembrei mais de nada quando encarei os teus olhos, os teus de verdade. Esses que sempre tiraram de mim a verdade, só a verdade. Consegui ser clara, ainda assim. Doeu, é doeu. Tá doendo ainda. A gente vai se falar, eu quero saber de você, a gente vai se ver talvez um dia num corredor de supermercado ou na praia, a gente vai se telefonar ainda que seja uma chamada por engano, a gente ainda vai recordar, sorrir e chorar com isso. A gente ainda vai. Por isso é melhor deixarmos assim... Até que se prove o não e se tenha certeza do sim.

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