Entendendo esse post como um desabafado ou uma fala em sessão de terapia que conta com duas presenças: a da terapeuta e a da paciente. Eu. Prefiro acreditar que escrever um papiro digital seja melhor que escrever uma mensagem ríspida em aplicativo de conversa instantânea, indireta criativa ou choro um agoniado. Chorar é bom, eu gosto muito, mas não choro sempre mais, não é mais tão fácil e, sim, já foi fácil um dia, quase involuntário.
Eu realmente não sei o tônus do meu incômodo nesse momento e o que o estimula. É difícil, é ridículo quase, porque eu sou insistente nos meus incômodos até conseguir entender e não que eu considere isso um hábito saudável para se ter consigo, mas é que eu prefiro cavar sempre, ocupar mesmo esse lugar de analista da minha própria vida. Contratei esse serviço de forma vitalícia e, mesmo sem nenhuma formação na área, me convenci de ocupar a cadeira máxima de analista de mim porque só eu conseguiria fazer isso do jeito que eu queria.
E M S I M E S M A D A. D+
Instiga ter que dizer pela metade, instiga a vingança, o bater de frente, a raiva descontada, porque assim como meu corpo sentia fácil a lágrima nascer, ele também sente a raiva se espalhar, me fazendo arder um pouco ficando num estado quase febril. Agora que, eu sei, já sou outra, continuar a acreditar naquela que já fui as vezes me mete em algumas enrascadas, tipo essa de acordar com raiva mas sem saber exatamente do quê e porque conviver com isso mesmo que eu não saiba explicar. Tá vendo como é impossível ignorar? A raiva vem, aparece, eu quero quebrar tudo, simplesmente destruir o mundo ou, sei lá, foder desesperadamente com um holograma.
- Você não pensa na destruição do mundo? Em ser a destruição do mundo.
Ok, não se pode fazer perguntas ao analista. Me perdoe, mas é que eu não resisti. Sei que estando aqui comigo, você também pensa como eu. Como eu sei? Eu só sei, consigo sentir. Falando mais eu sei que podem sair mais coisas, mas eu tenho dificuldade com fala, com precisão das palavras que ao serem disparadas acabam atingindo o outro lado de um jeito meio... Sei lá, sei lá mesmo, não tem como saber. Eu fico imaginando os efeitos da minha destruição no mundo e, olha, posso te dizer que sou bastante imaginativa. Por isso talvez eu devesse terminar o livro sobre viagens no tempo e escrever alguma coisa que me possibilite viajar por aí.
- Porque aqui tá difícil, né...
Eu precisei concordar, sabia que o meu comentário conformado soaria acolhedor pra mim. Pois é, é muito difícil viver apenas em uma realidade, é quase impossível, é torturante, mas eu entendo que pode até ser necessário. Prometo que no tempo que der eu fico por aqui, só por aqui. Agora que sei que sou diferente, preciso juntar a equipe de versões de mim mesma e ir, em busca de um sentido que me faça estar presente, entender o agora e viver aqui.
motivo pro choro I R _ R I _ G A - R
Que se faça mais um dia tecendo essa terapia! Quero, amanhã, acordar mais absorta e mais consciente de análise.
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