Foram anos tapando o espelho, não sabendo lidar com minha própria imagem refletida. Não sabendo reconhecer o que era projetado. Quer cor era aquela? Que cabelo era aquele? Era mãe e pai junto? Era mais de pai? Tinha traços de vó? Uma mistura, um borrão. E eu não me via em filmagens, eu não me gostava em fotos, ver minha imagem, sentir meu corpo, percebe-lo era doloroso. Por que?
A dança me veio para me ajudar a cavucar. Não fui procurar em livros, filmes, musicas ou objetos, fui procurar em mim. Engraçado, porque nesse meio sempre me deparei com a exigência (não de todos os lados, ufa) de um corpo assim ou assado ou nada do que eu fazia de movimento seria levado a sério. Não ignorei nada, pois não tenho esse poder, eu apenas ressignifiquei essas palavras e busquei o sentido delas pra mim, no meio de tudo isso, de todas as exigências, eu fui conhecendo meus contornos, trabalhando as minhas possibilidades. Digo sempre que o maior passo, não o mais importante, mas o maior veio do alto da minha cabeça. Quando tomei a decisão de cortar o cabelo e eliminar de vez a química que me machucava tanto o couro cabeludo e que borrava minha beleza natural. Parece bobeira, parece superficial e meramente estético, mas falar de cabelo é tão importante quanto falar de um rim. Nosso corpo é um e tudo deve ser percebido.
Eu sempre quis ser quem eu não era. "Bobeira, menina, você é bonita!", era o que me falavam, mas não era o que eu via nas revistas, na tv, não era o que estavam me empurrando pra tentar ser dia após dia. Ato político a gente faz com o próprio corpo, a gente faz assumindo nossa verdade e não impondo nada a ninguém, a gente faz sorrindo e também mostrando nossas fragilidades. Vendo beleza na gente, a gente vê no outro, aprende a amar o semelhante, o diferente e tudo que nos compõe, porque somos essa mistura mesmo, essa mistura graciosa!
Eu disse que era sobre processo e é isso, um dia de cada vez, apurando os sentidos, abrindo os poros. Amo meu corpo porque é ele me conecta, é nele que danço!
Galeano escreveu que "O corpo não é uma máquina como nos diz a ciência. Nem uma culpa como nos fez crer a religião. O corpo é uma festa" e eu afirmo, não existe lugar mais diverso que a festa!
Eu sempre quis ser quem eu não era. "Bobeira, menina, você é bonita!", era o que me falavam, mas não era o que eu via nas revistas, na tv, não era o que estavam me empurrando pra tentar ser dia após dia. Ato político a gente faz com o próprio corpo, a gente faz assumindo nossa verdade e não impondo nada a ninguém, a gente faz sorrindo e também mostrando nossas fragilidades. Vendo beleza na gente, a gente vê no outro, aprende a amar o semelhante, o diferente e tudo que nos compõe, porque somos essa mistura mesmo, essa mistura graciosa!
Eu disse que era sobre processo e é isso, um dia de cada vez, apurando os sentidos, abrindo os poros. Amo meu corpo porque é ele me conecta, é nele que danço!
Galeano escreveu que "O corpo não é uma máquina como nos diz a ciência. Nem uma culpa como nos fez crer a religião. O corpo é uma festa" e eu afirmo, não existe lugar mais diverso que a festa!
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