uma vez me mandaram um texto. um texto printado de uma página no instagram. bem... eu li aquele texto e senti um nó na garganta porque quem me mandou o texto tinha acabado de se despedir de mim, a gente se despediu porque eu ia pra um lado da cidade e ela pra outro. isso não é uma metáfora do amor que se foi, é apenas um quadro do dia-a-dia: ela ia trabalhar e eu também. eu estava bem, a gente transou, a gente dormiu poucas horas mas satisfatoriamente, a gente se beijou e a gente se despediu. recebi esse texto e o abri no caminho, quase chegando. é ruim, muito ruim você abrir uma conversa despretenciosa (eu, despretenciosa) de whattsapp e se deparar com um texto daquele. era cruel demais. era de uma conta chamada @textoscrueisdemais e eu não pude deixar de notar isso no final do print, estarrecida, sem entender, sentindo minhas camadas internas se revirando. reli aquele texto algumas vezes. cruel e bem escrito, doía, mas era de tão bom gosto tentar dar um ponto final em alguma coisa com aquele escrito... eu reconheci e fiquei com aquele nome na minha cabeça. o nome daquela conta.
aquela despedida, claro, não foi a ultima. a gente voltou a se ver, porque de cruel mesmo, só o texto, a atitude foi insensata e eu só precisei de um tempo pra entender aquilo. a gente é cruel sem precisar forçar a barra, tive vontade de dizer isso pra ela, mas nunca disse. é que amor não é pra fazer bem sempre, nem nós somos. voltei naquele perfil hoje, só hoje. não achei aquele texto. talvez não era mesmo pra ele estar lá.
bonito, de bom gosto, como toda crueldade naturalmente concebida.
pra amar e ser cruel basta estar vivo.
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