a criança da imagem a seguir sempre se pegava olhando de frente para ela mesma, profundamente morando nos olhos e no instante do dia que havia tirado aquela fotografia. não gostava de fotografias, não recordava aquele instante em linearidade, mas reconhecia aqueles olhos embora sempre parasse para encará-los. as paredes de tijolos laranja de cimento derretido e duro aparecendo por entre eles, compunham o museu que era sua casa. uma moldurinha e uma paredona, só depois de muitos anos foi entender que Monalisa partilhava da mesma realidade em algum lugar na França. e o olhar. olhar de imensos olhos submissos e suspensos, enclausurados, derretidos, sempre derretidos, quase sempre arrastados e apostos. de frente a frente e de olho a olho, a ponta leste ou a ponta oeste do corpo podem ser atingidas e nada, mas nada mesmo, aqueles olhos são capazes de ocultar - para quem conseguir ver. 
olha bem pro olho dessa criança, vê se não tem quase nada ou tudo que você quiser enxergar. 

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