- se for verdade mesmo esse papo de que somos únicos, como vocês fizeram pra não se perderem em meio a tanta gente? não se confundirem tanto?
responderam-me: "assim nasceram as religiões, todas, para que nomes diferentes fossem dados, pensados pra cada região e cultura, oferendas e lugares de culto distintos atendidos por nossas múltiplas faces. todos seriam ouvidos, o pedido para que se juntem, é para que sejam ouvidos melhor. ouvidos, acolhidos, atendidos. de um ser para o outro, ter quem passe o saber adiante, adaptando-o para cada ser, para cada lugar. o trabalho é dividido, todos estão implicados com ele."
- ah, mas vocês sabiam que daria nisso? (fiz cara de reprovação nessa ultima palavra e intui que eles sabiam do que eu estava falando, claro)
e novamente responderam: "sim, que em algum momento nós teríamos de saber lidar com essa energia única que mesmo sendo falada em milhões de vozes e idiomas distintos trata-se da mesma, e os seres humanos teriam de saber lidar com uma divisão facilitadora mas que por aflição foi mal compreendida, manipulada e revidada por eles mesmos, que os separará em uma camada tão profunda que só redescobrindo o canto em uma só voz que ele virará música para todos os ouvidos. inclusive para os nossos. complicou de um lado e de outro, e a solução virá de um lado e outro, também."
um, que não vi o rosto, completou dizendo:
- ser deus é isso né, aprender e crescer com a própria criação.
voltei daquela visita achando que sim, agora eu acreditava que aprender e ser, é tudo possível. aquela voz sem rosto me disse. aquela voz.
...ao passar pela rua que dá para a minha casa, um mendigo de cabeça baixa fazia pedir.
"moça, pelo amor de deus, me dá um trocado!"
aquela voz... é possível?!
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