O menino descalço sentado nos ultimos bancos do ônibus, encolhido, segurado por uma corda de preces silenciosas e aquecido por uma plena camada de generosidade, sentiu apenas a suspensão do silêncio para iniciar uma fala simples, uma fala que eu ouvi com o cuidado - o maior do mundo - de quem só podia fazer aquilo por ele, e por mim. "Só". Naquele momento em que o escutava, senti que nos acalentávamos, senti que ele me segurou em seu colo e me disse que mesmo sendo um ser humano socialmente negado, acreditava no amor do jeito mais pé no chão que se pode acreditar (ele estava sem sapatos, sem chinelos). E comigo ele dividiu sua corda, dividiu o pedaço que o salvava e eu passei a repetir a prece com ele, a prece que diz que o amor é para todos, se não for assim, melhor não senti-lo.
Estamos salvos, Wagner.
até logo, bem logo.
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