quarta-feira, 14 de setembro de 2016

(estive. estive disposta a abdicar de minha vida fora de cela para me trancar em uma com o amor. a chave ficava visível, eu a tinha pendurada no pescoço e por vezes até me esquecia que eu podia me tirar dali de dentro. só retomava a lembrança, quando alguém que havia perdido sua chave numa dessas saídas bruscas me pedia para entrar do outro lado das grades. voltavam dizendo que não encontraram paz e liberdade. eu sorria e concordava com um aceno de cabeça. liberdade e paz como, se o amor estava ali dentro? se o meu amor estava ali dentro.
abri os portões e novamente pendurei as chaves no pescoço. deixei a cela aberta para os que haviam perdido a chave e saí. faltavam 9 dias para a primavera e eu não tinha dúvida que ela seria mais ainda minha estação favorita de fora da prisão. eu não queria sair sozinha, nunca quis, menos ainda queria ficar sozinha, por isso saí. a chave está aqui.)

"Creo que somos dependientes, creo que somos esclavos! No creo que tenemos la capacidad de ser libres. Lo que si creo es que tenemos la posibilidad de tener la llave de nuestra celda. Yo quiero ser la duena, el propietario, de la clave de mi prisión. Pero, no quiero ser libre! Porque si fuera libre no podría vivir en paz aquí. Yo quiero ser prisionera como somos todos. Quiero estar con todos. Y tentar ser libre es como querer ser una estrella. Las estrellas brillan, pero no dan calor. Y están muy lejos. Y yo quiero calor, quiero estar cerca, rozar-me con todos. Quiero sudar, quiero ser humana. Quiero ser prisionera de la vida. Porque la vida es una prisión! ...Maravillosa."
 Concha Buika em entrevista à Lázaro Ramos

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