sábado, 25 de abril de 2015

Dos sentidos, do agora, da dança preciosa - Dança in Natura

Os ouvidos entupiram, os sacolejos não foram páreo para o sono que veio após sentar na poltrona reclinável. Acordei em Caxambu. Sonolenta, mareada, respirei um ar diferente e senti um cheiro novo, receptivo, uma atmosfera que logo me engoliu e eu me tornei pequena, como aquela cidade. Senti que tinha muito o que consumir para poder me tornar maior. Esse pensamento me abriu os ouvidos, literalmente.
Mais sacolejos até chegar ao vale do Gamarra. A chuva nos surpreendeu pelo caminho e o cheiro de terra molhada foi assunto durante a viagem. A gente se surpreendia a cada momento, a criança que existe tomou lugar, tudo era novidade. Voltando a pequenez...
Respirei fundo quando pisei no Espaço Lua Branca, após sair do carro. Eu precisava de ar, eu precisava reconhecer o lugar, como cachorros fazem. E mergulhei naquele mar de possibilidades naquele momento, naquela inspirada. Meus olhos buscavam ver, descobrir, mas bem depois eu percebi que algumas coisas meus olhos não viram, porém elas se fizeram presentes. Os sentidos foram acordados, todos.
Do Gamarra vi o céu como nunca antes. Em silêncio eu ficava diante dele tomado de um brilho sem fim e diante das chamas envolventes da fogueira. A imensidão escura não trazia medo, trazia possibilidade, desde fogueira, dilatação de pupilas a estudo do espaço, danças, experiências cinestésicas. As questões vinham, me aniquilando, me motivando.
Das pérolas do agora que já não é mais agora, tento transmitir o que posso, porque aquele agora foi tão precioso que nada parece conseguir transmitir essa beleza. Continua preciosa essa experiência no Gamarra, mesmo não sendo agora, ela reverbera em ideias, desejos, imagens, lembranças, aprendizados.
Dançamos ao som das aguas, dançamos ao som dos pássaros, dançamos sem luz e tudo era ali, fazia parte daquele agora. Rir fazia parte, silenciar fazia parte, balançar no balanço fazia parte, afagar cachorrinhos fazia parte, comer muito bem fazia parte, cantar sem saber o que fazia parte, tudo fazia parte nesse mergulho que nos propomos a dar juntos - sim, porque eu dei o meu mergulho mas, de olhos abertos, encontrei todos também imersos.
Voltei. Trouxe um pouco do Gamarra não só no mel e no cheiro das roupas, mas no corpo, na vivência. Deixei também, a minha dança ecoa naquele vale unica e preciosa como a de todos que me acompanharam nesse mergulho. Gratidão a tudo e todos que fizeram parte e que em mim conquistaram uma parte!


Espaço Lua Branca - Vale do Gamarra/Baependi


2 comentários:

  1. Thaina,
    Adorei o seu texto! Foi muito bom saber mais sobre as suas sensações. Realmente o Dança In Natura foi um grande mergulho que demos juntos, rumo à liberdade, à paz e à conexão com a natureza e com a nossa própria essência. Tenho certeza que dará muitos bons frutos!

    Grande Beijo!

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  2. Lindo, Thaina Farias! Vc pôs em palavras o inefável (adoro essa palavra). Como vc escreveu, essa experiência no Gamarra ainda reverbera em ideias, desejos, imagens, lembranças, aprendizados.

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