domingo, 15 de fevereiro de 2015

Suicidou-se.
Um salto da janela e tudo seria só suspensão, silêncio.
Diante da constatação de que, seria ela, uma fagulha impotente diante da dimensão do universo, do tempo, viu que não faria sentido viver.
Antes chorou.
Chorou como nunca antes, lágrimas que escorreram até os lábios que se abriram também, em um sorriso.
Era trágicômico viver.
Pensava a anos o que faria com essa dor insistente.
Concluiu. Existem três escolhas: remediá-la, viver com ela todo o tempo ou acabar com ela.
Acabar com ela: o jeito é um e é sem volta.
Não adianta, somos sós.
Os atos mais importantes da nossa existência estreamos sozinhos: o nascer e o morrer.
Cercados ou não de pessoas, é assim que nos sentimos.
Os outros são platéia.
A dor da existência só pode ser sentida na solidão.
E sozinhos decidimos o que fazer com ela.
Solidão bem aceita ou não, mas essa que nos acompanha.

Viu o corpo estirado
Não se jogou
Divagou sobre ser fagulha
Sobre não ser
Sobre ter vontade de não remediar mais
Sobre a solidão que acompanha
Sobre o que é sentido por todos e não é dividido
Sentiu doer.





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