Embora eu sinta que estou no caminho certo por ser o caminho que escolhi traçar, não deixo de pensar em cada passo antes de seguir adiante. As crises sobre o que estou fazendo ser ou não o caminho que vai me levar ao sucesso são frequentes, aparecem quando menos espero ou eu mesma chamo por elas.
Em um solo para uma apresentação, eu digo que elaborar o meu primeiro solo de dança foi um desafio que me gerou questionamentos e esses questionamentos me geraram mais desafios e esses desafios mais questionamentos. Quanto as respostas, eu preferia ficar sem, afinal essa eterna busca que estava me fazendo seguir adiante. E pra onde eu estou indo? Na verdade eu não sei.
A pesquisa sobre minha corporiedade, trabalhar em minhas limitações e entender o que quero dentro do universo onde estou vai além do profissional, do sucesso que busco com isso. Vai além, muito além. Tem dias que me sinto radiante ao sair de uma aula ou mesmo dançando sozinha no quarto, sinto que as peças do quebra-cabeça, todas, estão se encaixando, noutros dias sinto que talvez eu devesse mudar muitas coisas em mim, devesse me encaixar, devesse mudar a rota ou só devesse chorar por não estar me sentindo confortável naquela posição. Não se trata de conforto, não se trata de sucesso, não se trata de mérito... no caminho que trilho, minhas pretensões profissionais, de conhecimento, sucesso e até relacionamentos se fundem, se transformam em movimentos. E eu danço, danço a vida minha que foi, que é e que será.
Onde irão se findar esses meus passos, digo novamente que não sei. E isso me deixa irrequieta muitas vezes quando essas crises apertam e eu preciso de tópicos, preciso de planilha, preciso de edição. Me sacrifico, me culpo e culpo a outrem, digo que nunca fui elogiada (mentira!), digo que minha dança não é reconhecida, minha movimentação não merece destaque (tri-mentira!). E surgem questionamentos aos montes, bem como desafios. Pareço estar cada vez mais longe de uma resposta, mas na verdade até mim estão vindo muitas respostas possíveis. E quem disse que preciso escolher apenas uma?
A minha dança é minha, o caminho eu que traço e o reconhecimento eu que me dou, não existindo possibilidades eu crio. Das crises eu jamais me livrarei e nem quero, elas são o chamariz para os questionamentos que me motivam a seguir rodeada por respostas possíveis e disso eu me alimento. Ou melhor, disso eu me movimento.
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