terça-feira, 25 de junho de 2013

Ainda há tempo

A polícia entrou na favela. 
É um morador ligando pro outro, uns dão ordens e conselhos para preservar a vida seja do filho, do irmão, do marido ou do amigo, outros dizem somente "mermão, fodeu" e do outro lado da linha, respondem "é, fodeu." Porque é claro que nessa, tem gente que vai morrer, tem gente que vai sofrer, tem gente que vai sofrer e morrer. 
O coração fica na mão, cara. É muita injustiça! E só quem tá dentro que vê. Vê de perto e sofre junto. Quem tá dentro que vê e sabe que bandido também é gente, quem tá dentro torce pra que aquele cara que chama tua mãe de tia e se sente poderosão por ter um cordão de ouro pendurado no pescoço, que porta uma arma imensa quase do tamanho dele tenha chance de, um dia, se sentir poderoso por ter estudado firme e estar no emprego que sempre sonhou, fazendo o que sempre quis, mas que disseram pra ele que não seria possível porque ele era pobre, preto, favelado e que não ia conseguir nada na vida.
Aí policial entra atirando a torto e a direita, matando de planta a gente. Matando a alegria do povo e  a confiança. Aí dizem que, na favela, o povo tá do lado de traficante, não de policial, mas não param um minuto pra analisar a situação do morador. 
A cabeça dá um nó mesmo, tem questões que são difíceis de entender. Eu, às vezes, não sei nem o que falar... Emudeço.
Se tem só uma coisa que eu fico pedindo a Deus todo dia é para que as pessoas não percam a humanidade, o amor, a fé no outro. Para que eu não perca isso. Como dizia Criolo, "as pessoas não são más, elas só estão perdidas. Ainda há tempo."
Não somos ninguém pra determinar quanto de vida o outro merece, não somos ninguém pra condenar, não somos ninguém pra acharmos que somos superiores aos outros. Estamos todos no mesmo barco, vamos só remar juntos para que ele não afunde. Entendem o remar? Vamos nos ajudar. 

Ubuntu!
Eu sou porque nós somos



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