Um dia lhe disse que parecia ter uma idade inferior a idade
que tem. Disse-lhe também que a vida lhe
traria surpresas, e eu disse com uma certeza incomum, que estranhei, mas que sabia que não
estava imposta na minha fala por acaso. Eu poderia não ser tão mais experiente,
mas sabia que ela seria surpreendida por uma vida que já havia me surpreendido diversas
vezes, em maioria delas por ter dito nunca a alguma coisa ou situação. Queria
explicar que dizer nunca é visto pela vida como um desafio que é levado muito a
sério. As surpresas vem, quando estamos distraídos, mergulhados em ocupações,
ilusões ou futilidades e é justamente por isso que se torna um marco.
Eu vi esperança e expectativas naqueles olhos, ainda que ela
diga que não. Ainda é nova e luta para ser descrente e eu só torço, torço para
que tudo mude e para que eu veja nela o que penso que poderei ver, um dia. Como
numa visão mais afundo, misteriosa e esquisita, indescritível até. Torço por muito
por ela, comigo tiro minhas conclusões e mando um carinho em forma de energia que
percorre longa distância. Tem sido tão eficaz quanto palavras e gestos, no nosso caso.
Seja como for, continuo torcendo.
Mantenho apreço.
Quero que continue perto.
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