segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

A dança que constrói e une - Conexão Haiti-Brasil

Arte. Essa é a palavra chave. Pra quê?, você me pergunta e eu respondo: Pra tudo nessa vida. Hoje eu só pude confirmar isso, que eu já acreditava a muito tempo, acho que até antes de saber pronunciar qualquer palavra.
Acho que todo mundo conhece o Haiti, não é? "Claro, aquele país onde ocorreu aquele terremoto devastador", é o que se passa primeiro na cabeça de todos. Infelizmente é essa a imagem que a gente tem do Haiti: país pequeno, que só tem negros, muito pobre e vítima de um dos maiores terremotos da história. É... Ainda bem que ela, a arte, me fez hoje mudar esse conceito.
Conheci hoje no Centro de Artes da Maré (lugar onde faço aulas de dança) o grupo Aochan Creole (foto abaixo). A coordenadora do projeto é uma brasileira, que estudou dança e agora está morando lá no Haiti trabalhando para o projeto Viva Rio Haiti, fazendo com que esse povo acredite no potencial da dança local. Potencial esse que é incrível!

Ela - a coordenadora - nos contou que o projeto só começou mesmo depois do tal terremoto, que já tem quase 3 anos que aconteceu. O lugar que eles ensaiavam era meio precário, as paredes tinham caído e dois bailarinos-ajudantes serviam de parede humana, principalmente nas aulas com as crianças. Era um espaço minúsculo, um miolo e foi nesse espacinho que o Aochan Creole foi se desenvolvendo, explorando a dança folclórica local, mostrando a beleza da tradição desse povo, os tambores, a animação, os movimentos espaçosos, o rebolado, a ginga! O projeto foi introduzido não para ensinar o povo do haiti à dançar, nem para que fossem passados passos de outras danças de fora somente, o projeto serviu mesmo de impulso, de base e é uma forma dos bailarinos aprimorarem o que já sabem e até aprender coisas novas. O povo haitiano dança em todas as ocasiões, dos nascimentos aos enterros, para tudo se tem uma dança! Ginga eles tem, levam um jeito natural para a dança e dançam sorrindo, com prazer.
Interagimos com eles, dançamos junto, mesmo sem entender o que o eles estavam falado, nos entendíamos dançando. Uma professora de dança local nos passou alguns passo da dança deles e quer saber? A gente se divertiu tanto quando suou. É tudo muito simples, não existe muita técnica, é bem empolgante, ainda mais porque tudo é na base dos tambores. A gente percebe que a dança é algo importante para eles, que eles a executam não só como um ofício. Eles nos mostraram que o haiti não é só pobreza e exclusão, é também uma terra de gente talentosa, bonita, simpática e por aí vai! Viva o Haíti! Viva a dança! E claro, viva o Aochan Creole! Por trazerem uma imagem tão boa de um Haiti tão pra cima e bonito.

Eu, com a bailaria mais bonita do Aochan. Todos são muito simpáticos!



Vejam aqui uma parte do Trabalho do Aochan Creole lá no Haiti.

2 comentários:

  1. Nossa, que coisa linda! Fico sem palavras diante de atitudes tão dignas como essas. Ajudar através da arte é uma das coisas mais magníficas que o ser humano é capaz de fazer.
    Sim, nós cristãos gostamos muito de escrever! HEHE' Pelo menos, eu conheço vários.
    Fiquei muito feliz com seu comentário e estarei sempre visitando aqui também.
    Até a próxima ;*

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  2. Caramba, que coisa legal essa de se envolver assim com outra cultura e não depender das palavras pra se comunicar!

    Adorei!

    Ana Seerig

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