O cubo fumê.

Eu lhe enxergava dentro de um grande cubo de vidro, um vidro escurecido, que me possibilitava ver o que se passava contigo do lado de dentro, mas não te deixava ver o que se passava do lado de fora. Você era uma pessoa aprisionada. Eu também. Enquanto você se mantinha presa dentro, eu estava presa fora. Eu podia ver o sol, eu podia conviver com as pessoas, meu espaço era amplo, eu podia andar, eu via as cores e respirava ar puro, sentia gostos, aprendia. Ainda assim, eu me sentia presa. Eu passava horas a te observar, eu podia te ver, te entender, te ouvir, acompanhava detalhes do teu desespero. Você não me via, mas sabia que eu estava lá, do lado de fora do cubo, como espectadora e testemunha da tua prisão. E parecia não ter fim. Eu não sabia quando sua liberdade seria concedida ou quando eu desistiria de tudo aquilo, para de fato usufruir da minha.


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