segunda-feira, 30 de maio de 2022

Sobre opinião: um cálculo inestimável

 Começo esse texto citando os meus, os seus, os nossos familiares ou parentes mais velhos:

“Se conselho fosse bom, não se dava, se vendia”

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E bem, essa é uma frase que atravessou alguma camada de geração, pelo menos uma chegando à outra, porque implica em algum sentido identificável socialmente mesmo. O que quero dizer é que, se a frasezinha nos vem a cabeça toda vez que alguma situação é relatada e a damos como resposta ou soltamos como um comentário vago que no fundo acreditamos fazer sentido (mesmo que não se defenda para mais que essas palavras), é porque estamos reproduzindo uma lógica. Social. E ó, vou avisando que provavelmente devem ter uns 2154787478 teóricos que respondem pelo possível tema que essa introdução (já muito longa) tá apontando, mas eu realmente não tô sabendo citar ou não tô querendo mesmo. Prefiro citar letra de Funk — por falar em opinião… ♥

Bem, em tempos de bitcoin ou “moeda da ideia” discutida e aplicada, o que chega junto mesmo da gente antes de pensar duas vezes e correr para o Facebook ou Twitter para criticar o clipe novo da

foto: Yuri Dias


cantora X ou da postura N da professora Y, é pensar em quanto vale nossa opinião. Afinal, pra mim, o mistério todo aqui está no sentido empregado em cada palavra da frase e no código que existe por trás de cada uma. Muito conspiratório? Calma, gente, é Black Mirror nas idéia.

Zoando.

O que acontece entre nós é propagado mas nem sempre considerado em alguns muitos graus merecidos de importância ou de, pelo menos, suspeita. Será que é indicado suspeitar de um ditado popular? Bem, propagar a gente bem sabe que é meio incontrolável, quando nos damos conta já soltamos a frase depois do amigo contar de um “chega-pra-lá” que levou por comentar a respeito do comportamento de alguém, seja pra encerrar logo o assunto, seja por não ter nada mais elaborado a dizer, seja por intuição mesmo.

É que aqui, minha gente, estou entendendo opinião — e concelho é um modo de encaminhar uma opinião — como ideia. Ideia é uma pasta zipada que contém: emoção, experiência, intuição, conexão individual e com os outros, consciência, desejo e capacidade de armazenar dados. Sabe quando dizemos “eu tenho ideia do que isso possa dizer”? Então, temos uma opinião sobre o que isso possa dizer. Seja o que isso for. Ao dar, estamos abrindo mão, nos desprendendo, o que damos precisamos ter sempre, é uma produção em maior escala. Produzir ideias em grande escala não é ruim, não. Só que o calo aperta quando lembramos que estamos em tempos de pensar valores - e disso não dá mais pra fugir. Um seleto número de pessoas já determinou os valores da maioria durante muito tempo, agora pensar os valores está cada vez mais ao nosso alcance, precisa estar; em nossas opiniões em rede.

Não adianta ter ideia e não as pensar em valores. Inestimável por que: não dá pra atribuir valor ao inestimável, essa palavra sugere justamente o que não se pode calcular, eu diria que é sinônimo de utopia, depois sairia correndo por uma grama bem verde porque… Estamos na era de aquário, mores. Valores são utópicos e pra chegar no pote de ouro, é preciso entender que ele não existe no final do arco-íris.

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