A ocasião: casamento de Josi e Marina, uma graciosa festa em uma casa na Ilha da Gigóia
Foram compradas algumas flores, umas de plástico outras orgânicas. Após
as cerimônias oficiais do casamento, a socialização se fez entre os
convidados e eu me pus a observar os objetos dispostos no local da
ocasião.
Ao sentar-me em uma cadeira em uma pequena área a céu aberto de frente
pra água, encontrei uma flor de pétalas brancas já moribunda repousando
sobre a terra de um grande jarro. A peguei pra mim e ela, junto de meus
dedos, começaram a desenvolver um diálogo. Vasculhando a flor,
lembrei-me do habito de despetalar flores e falar para cada pétala as
palavras bem-me-quer e mal-me-quer, na intenção de descobrir se "é pra
ser" o ente desejado que estiver à cabeça do consulente.
Jogo de azar?
Uma flor morta estaria apta para me dizer se amar quem amo é uma aposta de sorte?
De onde surgiu esse curioso hábito?
Estive em um canto da festa, sentada junto de uma flor, pondo-me a
despetalar uma a uma de suas pétalas brancas em ação constante até que
só restasse o miolo, depositando as partes retiradas em uma de minhas
coxas. Os pensamentos iam e vinham, em fluxo, construindo um caminho
entre presente (a ocasião do casamento), passado (a origem do hábito) e
futuro (será que bem-me-quer ou mal-me-quer?) e no final, recolhi as
pétalas e o restante da flor como lembrança, não como sentença.
Dandara Fulô, passou e me fotografou.
9/11/2019



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