domingo, 29 de dezembro de 2019

a praia é a cidade

dividida em quarteirões de gente com suas (ou alugadas) cadeiras e guarda-sóis, a areia fica ocupada de um jeito que a julgar de primeira, é bem bagunçado, mas se apurar com cuidado a organização dali se entende. 

repara nos comércios ambulantes que dão as caras nos camelôs, que vestem até figurino de trabalho ou tapam suas canelas com areia pra driblar os raios do patrão que não perdoa ninguém e aí é cada um trabalhando por si e o Sol por todos. 

os corredores entre um quarteirão e outro são ruas e é por elas que o comércio passeia, oferecendo mate, esfiha, biscoito, biquine, protetor solar, caipirinha e açaí geladinhos, as pessoas são tão diversas quanto os produtos, das caixinhas de som, dos fones e da boca desse povo de tudo sai: fofoca da vida do outro, papo existencial, política, futebol, preconceitos, rogos e jubilos, tudo isso e mais um pouco, até o que mais se consiga escutar. 

todo mundo desfila, querendo ou não. o óleo de bronzear em contato com a pele trás frescor e brilho, tudo muito lindo se for deixar de falar que a água corre perigo ali do lado, tem lixo pra cima e pra baixo e "não, o vazamento de óleo do nordeste não chega até aqui, não" então tranquilo, pô, dá pra relaxar. 

essa crônica não tem conclusão, é só um retrato sem moldura de um lugar que são muitos, um lugar que vai existir pra sempre de um jeito ou de outro, a gente que não. 

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