domingo, 27 de janeiro de 2019

coito interrompido

foi tanta água que ia e vinha de dentro de mim que eu só poderia sair dali me afogando e foi foda quando quiseram me salvar. porque quiseram. essa é a introdução.
eu custei a entrar no mar. no mar, custei. cheguei doida, varada, com calor, querendo ficar na água e... o maior mar revolto. sosseguei, me despi e fiquei ali, esperando a hora de ir pras ondas. confesso que não fiz muito cálculo, quis só entrar. tinha gente indo e vindo com as ondas, elas se desenrolavam na beira com força, puxavam e voltavam uma em cima da outra. eu fui. tava com a agatha, ela ria junto comigo de um assunto bobo mas a gente ria tanto dentro daquela água que parecia fazer parte do exercício. as ondas vinham e baixavam os cabelos dela, eu ria, as ondas vinham e me molhavam a cara no susto e a gente ria, até que um ....homem...dois....três... veio perguntar pra ela se estava tudo bem.
começamos a nos afogar. em sequencia, não em corte.
foi tão rápido que eu só tive tempo de tentar mergulhar, segurar o braço de um deles e ter a certeza de que a força do amparo era só pra me deslegitimar. no mar. as ondas estavam tão fortes como estavam quando entramos, numa cadência tão bonita que só parecia perigosa. eu que sou íntima do medo e das beiras, me senti livre ali para tentar alternar respirações, vez ou outra engolir água salgada e nadar no fluxo das ondas até pousar novamente na beira, contando tudo que vi daquela tentativa de me salvar. 
eu poderia ter morrido, sim, mas eu também poderia ter tentado. lembra clichê.
estou aqui num desabafo conflituoso nesse instropectivo blog para dizer que cuspi essa minha ingratidão no agradecimento neutro que tentei balbuciar, lá na hora. só que não deu, o tal fez-se de herói e eu caminhei de costas pra não dizer que fiquei sem saber o que fazer. ele acredita que é, eu morro toda vez que me impedem de tentar. de nadar. de conseguir. de me salvar.____ estória mal contada, homem do mar. nunca corte as nadadeiras de uma sereia, porque ela pode se vingar. caso a causa do afogamento for de risco iminente, você não irá saber parar. então não estenda os braços para o alívio, deixe de ser o transtorno. o mar sacode os desejos desse e daquele jeito, volta. fica. some. sai da frente da mulher sem nome!

me deixa eu me afogar, eu tô me afogando. esse é o título que sobe nos créditos, no final. 

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