terça-feira, 18 de setembro de 2018

H.U


O hospital é um código. Falo desse, especificamente. Seus corredores são passagens, abertas de um lado e as vezes de outro. As portas quase sempre fechadas, as luzes acesas de tão apagadas. É um L num canto da cidade.

[fragmento de mapa]

Lembro de umas visitas à emergência. Essa, na minha época de crises de asma, era em um anexo, ao lado do prédio, mas eu posso estar errada. Agora, ela quase não funciona. A emergência. Tem Doutor, pouco. Tem Dinheiro, pouco. Tem Direito, pouco. Tem tudo pouco, mas o prédio... esse é muito. Longo e Largo. Um L de tanta coisa...

A arquitetura é a incompletude de uns quadros mágicos. Uma parede passa desapercebida e atrás dela outro corredor, com papéis, pessoas e demandas. Não poucas, muitas demandas. Porém, só funciona até às duas ou três horas. Se o médico não está lá, é como se ele nunca estivesse.

Alunos descem as escadas, algo está engraçado. Nem reparam. Acho que fica normal depois de um tempo ou sempre deve ter sido quando "é lá que eu vou ter que estagiar?", sei lá. Sei lá é a cor das paredes, das janelas, da paisagem, de tudo. Parece que vai ficar assim e sei lá.

Droga de governo.
Droga de mundo.
É do outro lado que eu quero morar. Que Deus acabe com tudo!
E metade do Hospital já caiu. Falta pouco.

O que vou fazer com esse passeio é torcer pra nunca precisar, mas não precisar é morrer Deus, né? Que tá lá e não aqui, que não tem saúde pra cuidar, que não tem pendência com o corpo, que só precisa mandar.
Quem tem dinheiro, tem Deus.
Quem não tem, só resta rezar.



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