quinta-feira, 30 de agosto de 2018
renan tá tocando radiohead no quarto, no violão, uma música bem triste que esqueci o nome mas me faz lembrar e até compõe o abalo cismico que foi esse sentir. eu só sabia entardecer se fosse pensando em fazer isso com você junto de mim. junto, eu disse, não perto necessariamente. passei aquele show todo chorando e só fiz isso porque o meu jorrar é quase constante. eu sou uma praga emocional que se alastra pelo meu corpo, é combatida até ser curada, depois volta. mas eu chorei muito, do mesmo jeito que tô chorando agora. é impressionante como algumas situações incríveis, maravilhosas, dignas de um registro eterno na memória podem ser também uma catastrofe natural. ah... então é natural. eu respiro mais aliviada e comunico que daqui, eu só não explodo mais porque ainda existem partes debaixo da terra. aqui é mais seguro, debaixo da terra. espero a fome bater, mas ela já está aqui. que bom que eu sinto fome e que bom que é por isso que eu lembro com menos horror das coisas esquisitas, parasitas. a fome me cura ao mesmo tempo que me lembra que tô morrendo, vou morrer. o texto daqui é o enunciado de uma imagem, de uma quinta-feira dia 30 de agosto. renan só agora canta "resistiré" e eu faço da melodia que ele ajuda a construir com o violão, o som do rádio. perspectiva.
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