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| “Me sinto como Maria Antonieta a caminho da guilhotina” |
Marina Abramovic.
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Para uma mulher como eu, a guilhotina pode parecer um lugar confortável. Ela me atrai - a lâmina. Fina como a linha tênue que separa os meus instintos da minha intuição, que separa pra onde eu vou da onde eu vim, Caminhando por essa linha, agora vou ao encontro dela. É inferno, é inverno.
Os soldados, comandantes, guardas, seguranças, seja lá como diabos chamam esses homens encapados, me cercam como urubus. Eles acreditam mesmo que daqui poderei ir para algum lugar? Não, eu não quero. Mal sabem como me excita entender que minha cabeça será salva do restante do meu corpo assim que o dilema deixar de existir. Não fui quem inventou toda essa merda, mas não sou vítima daqui e é nisso que sempre me ancorei e surtei.
Os soldados, comandantes, guardas, seguranças, seja lá como diabos chamam esses homens encapados, me cercam como urubus. Eles acreditam mesmo que daqui poderei ir para algum lugar? Não, eu não quero. Mal sabem como me excita entender que minha cabeça será salva do restante do meu corpo assim que o dilema deixar de existir. Não fui quem inventou toda essa merda, mas não sou vítima daqui e é nisso que sempre me ancorei e surtei.
Servi sorrisos e bofetadas a muitos, praticamente todos; homens principalmente, mulheres com receio, animais com respeito, elementos com audácia. Parecia mesmo que eu entendia do que se tratava a existência, mas não, como todos eu só estava tentando, respirando pesadamente, esperando uma guerra eclodir ou um abraço me salvar da morte. Agora, morrer parece fácil já que me sinto verdadeiramente sufocada e, nossa, eu realmente esperei muito tempo por essa paz…
Olho para um lado e outro e só o chão parece me entender, só ele parece me ouvir. Estamos na mesma temperatura e sabemos nos atrair. Sinto que se ele abrisse abaixo dos meus pés, todos seriam sugados, menos eu. Eu me tornaria poeira, uma poeira lastimosa. Chão é amontoado de poeira ou poeira é raspa de chão?
Sorrio.
Me repreendo.
Temo que me vejam emergir. Quero que contem com o meu pavor, quero que recebam-no de olhos bem arregalados e que temam estar nesse mesmo lugar que agora ocupo, o de bruxa, o de louca, o de mulher. Para as que se sentem como eu e que caminham sobre a linha, rogo silenciosamente para que valorizem suas tripas, rogo para que não tenham medo de si, rogo para que entendam que sentir é poder e para que sintam que o poder é pequeno para quem sabe sentir.
Me repreendo.
Temo que me vejam emergir. Quero que contem com o meu pavor, quero que recebam-no de olhos bem arregalados e que temam estar nesse mesmo lugar que agora ocupo, o de bruxa, o de louca, o de mulher. Para as que se sentem como eu e que caminham sobre a linha, rogo silenciosamente para que valorizem suas tripas, rogo para que não tenham medo de si, rogo para que entendam que sentir é poder e para que sintam que o poder é pequeno para quem sabe sentir.
Rogo por mim, porque rogar me manteve viva até a morte.
Diferente dos que me queimam, eu nunca tive medo dela.
Diferente dos que me queimam, eu nunca tive medo dela.

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