A primeira personagem é Emoção e esta gosta de ser chamada Emoção-Humana — nome artístico. Há quem a critique, dizendo que ela não deveria se dizer de maneira tão pejorativa em nome dos inferiores, mas ela diz que gosta de ser atendida pela maneira que mais a chamam e no mundo onde vive, afirmar-se Emoção-Humana é motivo de questionamento e resiliência. Emoção é bastante popular, no entanto ela reside em um lugar onde não se sente segura, mora do lado do Medo. E não, não é o Medo que lhe apresenta problema, mas conviver com ele atrai a Insegurança. Essa que nunca está de maneira integral, nem se sabe quando. A Insegurança é inconveniente e aparece apenas se cogitarmos ela. Emoção mal a cogita, mas o Medo… Esse é apaixonado por ela.
Ser é outro personagem da trama. Este é um tanto altivo, de vez em quando não se posiciona e em outros momentos não arreda pé de quem Ser é. Ser é maluco, namora a Loucura desde que ambos andavam na ponta do pé como gatos. Agora Ser pisa de pé inteiro e firme enquanto Loucura cata coisas na rua. Mudaram muito, vivem juntos e agora os confundem com essa combustão. Ser e Loucura tem a mesma voz, a mesma vó e veem vultos, porém só Loucura os pinta em quadros.
A avó, é Amor. Nesse mundo, Amor é a avó de todos.
Viver aqui é complicado. Viver é solitário, confuso, por vezes busca no outro o que necessita em si e algumas vezes tira a força, mas todos sabem o que Viver é, mimado e só escuta quem quer. Viver costuma ir e vir, também popular como a Emoção, Viver só é evitado por ser visto algumas vezes com o Risco. Risco divide opiniões, mas é mais bacana do que parece, só tem cara de poucos amigos.
Melancolia prepara bons bolos que deixam um gosto meio esquisito na boca. Prazer costuma visitá-la pelo motivo de comer, diz que volta logo, demora a voltar e vai a procura de Viver pra sair, quando cansa fica só. Na verdade, todos aqui são bastante solitários. Todos aqui vivem em um esquema nada padrão, contam histórias, dormem alguns a noite outros de dia, para iniciar uma jornada de trabalho que não se pode fugir. Mais populares ou menos populares, estão quase todos aqui; só a Razão que cisma em se isolar, dela pouco se sabe, apenas se conhece o desejo de habitar outro lugar. A Razão vive em devaneio, um devaneio que nem o Corpo consegue tocar. Ih, esse tampouco…
Aliás, Corpo aqui está. Sobrepõe funções; é regente, professor, dançarino, alpinista, casa, pedreiro e costureiro. É visitado pelo Tempo com frequencia, esse muito misterioso. Vivem uma amizade próxima, encorajadora. Corpo sempre está e todos se assustam com a maneira de Corpo trabalhar, não apenas popular e necessário em todos os setores, responde mesmo como Auxiliar de Serviços Gerais. É criador da Experiência, seu mérito original. Essa, é grata, se dilata em questão de segundos pelos espaços, adora brincar de mágica com o Tempo e é sem dúvida tudo o que os demais não negam em admirar.
Ah! Já ia me esquecer dela, A Fé. Foi nomeada antes de nascer. Ainda não nasceu, mas é muito esperada.
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