uma vez me disseram com uma voz que quase não saía: "você é boa demais pra mim" e foi a mesma pessoa que me disse "você me dá medo", e o que era confusão virou tufão. eu sempre vi muita gente fraquejar na minha frente, morrer lento ou rápido. eu sempre me senti afetar, mas não podia diluir junto - eu diluo. escrever é um jeito muito covarde de formular umas palavras que eu deveria dizer, mas eu mal sei qual a força necessária pra dizer que uma coisa faz muito sentido na minha vida, porque é isso, pra mim tá claro. o que tá nascendo, eu gosto de deixar crescer, ali quietinho mesmo. eu sinto coisa demais e a maior delas é a solidão, desde os tempos que eu olhava pras paredes de casa e me via só, com um monte de possibilidades e nenhuma interferência. senti muita falta de interferências, mas aprendi a viver sem elas. segui. tô seguindo sempre. eu sei que a frase do início cravou um lugar. a pessoa que a disse, não, essa diluiu, mas a palavra permanece. tô escrevendo agora pra diminuir o receio de seguir sem dor, parece que tem que caber uma culpa, mas eu aceitei que não é demais seguir sem ela. eu só não gosto de me sentir sem lugar, não gosto de não ter onde tatear, não gosto de não poder acrescentar. o tempo corre pra todo mundo, pra mim é igual, mesmo eu sendo uma pessoa lerda, calma, quase parada. não sei o que mora dentro de mim, talvez algo que deva permanecer assim. o que é pra ser eu não sei, eu sei o que não pode deixar de ser. e seguir é o verbo que o suor não deixa a gente esquecer, seja o que for esse suor.
vou fumar mais.
o café acabou.
e é um corroer eterno.
Me justificando
Poupar palavras é muito o meu forte, ao menos no que diz respeito a fala, ao verbalizado. Já aqui pelo campo das palavras escritas não é lá do meu agrado! Na verdade, não é nada do meu agrado e precisão. Necessidade mesmo. Muita coisa precisa brotar aqui nem que seja só pela sensação de ter arrancado fora. É uma necessidade... Sabe quando a gente se mostra pra se proteger? Eu sinto que é isso, uma proteção que eu crio em mim com as palavras que criei pra dar rumo aos meus sentimentos. Eu tô sempre escrevendo com base no sentimento, por isso que pra escrever roteiro é um parto! Eu já anotei algumas ideias, imaginei outras, mas nada saiu além d'A Força. Quantas vezes eu já não pensei no que escrever mas não escrevi? Isso é cruel. Eu preciso ceder a essa necessidade como se cede a um desejo. Eu amo ceder aos meus desejos, me sinto vivo! E questionar esse sentimento é como questionar o meu corpo e os seus caminhos. Questionar? Eu tenho mais o que fazer com ele! ...
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