uma vez me disseram com uma voz que quase não saía: "você é boa demais pra mim" e foi a mesma pessoa que me disse "você me dá medo", e o que era confusão virou tufão. eu sempre vi muita gente fraquejar na minha frente, morrer lento ou rápido. eu sempre me senti afetar, mas não podia diluir junto - eu diluo. escrever é um jeito muito covarde de formular umas palavras que eu deveria dizer, mas eu mal sei qual a força necessária pra dizer que uma coisa faz muito sentido na minha vida, porque é isso, pra mim tá claro. o que tá nascendo, eu gosto de deixar crescer, ali quietinho mesmo. eu sinto coisa demais e a maior delas é a solidão, desde os tempos que eu olhava pras paredes de casa e me via só, com um monte de possibilidades e nenhuma interferência. senti muita falta de interferências, mas aprendi a viver sem elas. segui. tô seguindo sempre. eu sei que a frase do início cravou um lugar. a pessoa que a disse, não, essa diluiu, mas a palavra permanece. tô escrevendo agora pra diminuir o receio de seguir sem dor, parece que tem que caber uma culpa, mas eu aceitei que não é demais seguir sem ela. eu só não gosto de me sentir sem lugar, não gosto de não ter onde tatear, não gosto de não poder acrescentar. o tempo corre pra todo mundo, pra mim é igual, mesmo eu sendo uma pessoa lerda, calma, quase parada. não sei o que mora dentro de mim, talvez algo que deva permanecer assim. o que é pra ser eu não sei, eu sei o que não pode deixar de ser. e seguir é o verbo que o suor não deixa a gente esquecer, seja o que for esse suor.
vou fumar mais.
o café acabou.
e é um corroer eterno.
domingo, 3 de setembro de 2017
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