neste exato momento eu preciso de coragem pra ir, é uma tarefa simples e não me representa perdas, só ganhos, mas sair de casa agora, da minha cápsula, representa o ir ao desconhecido e o desconhecido sempre me causa estranheza, me provoca arrepios, me suspende. eu demoro dias pra entender os motivos, eu ficaria horas mastigando uma única experiência e sentindo os efeitos de sabor em minha língua. horas. eu realmente nasci para o pouco e isso não é da necessidade de ser medíocre, é do tamanho da minha necessidade, do meu amor condensado que só se espalha a medida que é muito sentido, pra dentro, enraizado.
eu escrevo sobre esse amor desde a formação das minhas primeiras veias, eu escrevo com elas. elas são escritos de amor que eu transformei em passagem, em canal de fluxo. eu e o universo. sempre universo.
uni verso...
continua sendo estranha essa minha necessidade de permanecer sendo quem eu sempre fui mesmo fazendo questão de mudar, dos paradoxos da vida, cada um com os seus. senti só em poemas desde sempre que eu nunca me pertencia tanto quanto em escrita, em veias, em fluxo.
sou todas essas linhas, esse caminho entre um póro e outro, esse dilatamento constante sentido em um ponto diferente a cada dia e é impressionante como o corpo pode sinalizar pontos, pode fazer gritar cada partícula. eu conto com isso pra ser viva, com o grito. esse que estabelece caminho na garganta e para em cima das amígdalas, mora ali, vive ali.
meu corpo é feito de pequenas cápsulas de tempo, de matéria, de vida, de invento. criativas formas de ser e eu nem vejo todas, mas sinto. meu corpo é o meu lugar de paragem, meu canal de movimento, meu estado presente de tempo, meu corpo é meu tempo. e eu amo estar com o tempo.
terça-feira, 12 de setembro de 2017
estarcom: em estado de tempo
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário