sexta-feira, 25 de agosto de 2017

o escrito do escrito do escrito

"a palavra dita perece, a palavra escrita permanece"

trata-se de um provérbio em latim que li pela metade (depois da vírgula) num livro infanto-juvenil que troquei numa Bienal, me arrependi e o comprei de novo no mercado livre. a metade da frase estava em latim mesmo no livro, com tradução. não entendi porque o autor a colocou ali mas o livro foi desenhando um sentido de vida a partir daquele relato de uma vida que já não existia mais. pois é, era um livro infanto-juvenil sobre a escrita da escrita de um garoto que já havia morrido, era novo como eu na época, escrevia em um diário como eu, mas havia morrido levando consigo os anos de vida que teria pela frente. eu achei curiosamente apavorante o meu interesse obsecado, acho que foi o livro que mais li.
Lucas o nome dele, do garoto em questão. o livro é o "Os Papéis de Lucas". eu nem sei explicar direito como ele foi parar nas minhas mãos mas na rotatividade da biblioteca da escola eu me perdia e me achava muito. sei que, sei lá, volto nessa frase toda vez que preciso lembrar que a gente se faz presente em palavras o tempo todo e mesmo nunca tendo conhecido o Lucas em vida, em toque, em dialogo, eu conheci o que ele escreveu através do Júlio Emílio Braz (o organizador dos papéis, autor do livro), então posso dizer que por ter lido o Lucas, eu o conheci, ele é presente porque pouco importa o provérbio em latim, importa mesmo onde eu li ele - na quinta folha de um livro infanto-juvenil que eu achei sem procurar na biblioteca da escola. duvido que o Lucas imaginou que o diário dele viraria livro e isso é o mais legal e o mais perturbador de se encontrar nessas páginas.

nem é uma crítica ou uma apresentação, não, só que o livro é foda e eu também sou obsecada em escrever sobre lembranças.
e eu posso emprestar.

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