domingo, 11 de junho de 2017

carta pré póstuma de iná

Me ocorreu no dia de hoje, 11 de junho de 2017, momento esse que ouço música da gipsy klezmer orchestra de barcelona e espero uma amiga chegar com um doce que mudará, espero, os meus próximos minutos depois que o planejado acontecer: ela chegar, me entregar o doce, entrar e pegar uma música que baixei pra ela e sair, dizendo que me encontra mais tarde e partir. Estou aqui sentada na minha cama de costas para a janela pensando que talvez fosse bom escrever alguma coisa sinalizando um desejo após minha morte, talvez fosse interessante pensando que eu pudesse ter sim uma memória póstuma e que essa memória que estou acessando agora e mal sei qual é, me diz para escrever, agora, sobre isso trazendo esse título que talvez nem seja lido - duvido, internet é foda - mas que talvez nem seja entendido. ok, o pedido é bem simples, como podem notar, eu nem estou separando o texto em parágrafos, nem gosto de parágrafos, nunca soube usá-los e tenho raiva de quem sabe usar, costuma ser uma gente chata, foda-se, só usei em redação do ENEM. o pedido pode ser encaminhado de jeito que bem entenderem, afinal é um pedido simples, mas com um detalhe muito importante: eu gostaria de dirigi-lo, por isso estou escrevendo, porque essa carta é uma direção, não uma imposição (por favor, não esperem que meu espírito vá voltar, né? eu realmente considero insuportável estar viva muita das vezes, ainda bem que tenho pessoas do meu lado que também devem achar e por isso acho que deveríamos nos encontrar, pra viver esse imenso lamento divertido tipo os quadros de a praça é nossa), super compreensível que seja um filme incrivelmente maluco e simultâneo e confuso tipo um filme grego que vi esses dias e saí com dor de cabeça, pode ser, mas eu super gostaria que não fosse porque, sei lá, se for que seja com aquelas ótimas atuações que o filme teve, porque é, uma boa atuação é tudo, então que, por favor, os atores para representarem esses personagens do meu inventário sejam atores incríveis, absurdamente incríveis porque eu não vou aquietar o espírito se vocês colocarem uma... deixa, eu ia citar um nome e dizer que não, eu nem gosto de loira, mas vai soar preconceituoso e esquisito e uma pessoa não pode ser preconceituosa, né? (risos) uma vez um cara muito sensato, meio desprezível, super esquisito e meio tarado disse uma coisa que chegou aos meus ouvidos de um jeito que só quem entendeu o código pode entender: "normal a gente ter pré conceito, porque o pré conceito já sugere algo que é pré concebido, ansioso mesmo, todo mundo tem pré conceito, o problema é parar aí" e eu to passando a fala do meu jeito professoral e meio metido, mas foi mais ou menos isso. ok, algumas frases eu não esqueço, na verdade alguns quadros, ângulos, não saem da minha cabeça e eu lembro uns detalhes que são menos importantes que outros, mas que pra mim fazem todo sentido, tipo o gesto que a pessoa que estava me dizendo isso estava fazendo, uma espécie de pontuação com a ponta dos dedos encostadas (tipo um bico de pato) batendo de leve na palma da outra mão virada pra cima e tomando cuidado para que aquilo fosse passado fielmente, como foi dito, porque algo assim não podia ser perdido, isso é coisa de discípulo. o problema é que jesus teve 12 discípulos. 12 talvez seja meu número da sorte e um dia eu explico o porque, aliás não explico porra nenhuma, quem lê vai entender o segredo que nem tá escondido, tá exposto até demais. como você tem 12 x 2 ouvidos te ouvindo e não acha que as informações vão chegar de maneiras diferentes em vários lugares do mundo? se jesus não pensava nisso, era burro e isso a gente não vai saber porque a gente conhece jesus contado pelos 12 discípulos com 12 ouvidos vezes 2. vai saber como essa figura se tornou tão popular! aliás, dá pra entender sim, porque tudo tem um porque, a gente que gosta de separar e inventa por que pra tudo. somos chorões e adoramos falar, tipo eu que comecei a carta falando de pedido pós morte, minha amiga chegou agora e eu termino com um fim retido, sei lá o que fazer, depois eu edito.

Nenhum comentário:

Postar um comentário