eu deixei de acreditar quando era criança. eu achava que não teria tempo para acreditar nas coisas catastróficas que queriam me mostrar no panorama do contexto que fui colocada. acabei deixando de acreditar nas saídas possíveis e comecei a acreditar nas impossíveis mesmo, porque já que não era pra ter muita expectativa de vida, que eu pudesse pelo menos escolher o modo como queria morrer e esse modo era tentando chegar num lugar onde só minha imaginação é capaz de imaginar. fiz drama com muita coisa, claro, acontece que o exagero é uma meta comum a todos nós, é pra impressionar.
∟└ esse lugar não existe, ele nem precisa existir, é só aqui que ele precisa ficar pra ser rabiscado, pintado, redesenhado, descrito, editado, toda vez que eu estiver em situações que me fazem pensar em desacreditar de tudo, de viver num imenso mundo nulo, num imenso mudo mundo que falha por não poder escolher. eu deixava de acreditar pra ligar o rádio e dançar qualquer música que inventavam de tocar, com pausa nos comerciais para beber água e varrer a casa, o mundo que eu quis pertencer é exatamente o mundo onde agora eu busco continuar, estar, permanecer. a gente continua chorão, medroso e deslumbrado, mas depois de fazer algumas (tantas) escolhas, a gente entende que pode escolher e só por isso eu quis crescer, pra dizer em alto e bom tom que esse é meu poder e por isso eu escolho continuar sendo o que eu sempre fui, porque é, eu fui a criança que eu sempre quis ser.
tenho a sensação que agora o tempo passa por entre meus dedos, molha minha pele, escorre pelo meu cabelo, pesa meus olhos, me diverte, me bagunça, que ele passa como passava quando eu estava mergulhada em mim e nas minhas histórias, ele passa como passa pra quem brinca.
o segredo é não deixar de brincar.
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