Minha investigação é uma máquina. O meu corpo. Falar sobre maquinário em espaços de arte aparentemente é uma evocação do mal e talvez, talvez seja mesmo. Justamente por as vezes evocar o mal, que eu resolvo operar. Pesquiso a operação, os códigos, tudo que dinamiza e faz essa estrutura funcionar. Pode parecer vago, mas está condensado e não é nem metade de tudo isso que eu consigo explicar. Minha criação é bastante cristã, como cristo mesmo, estou com os outros em diálogos que parecem que nunca vão terminar, mas que se desfazem no próximo ponto, num encontro, num vento mais gelado que obrigada a sair do lugar e entrar. Esse é o meu processo, eu gosto de conversar, gosto do diálogo com palavras, mas os sem elas são os que mais tendem a me desafiar.
Me justificando
Poupar palavras é muito o meu forte, ao menos no que diz respeito a fala, ao verbalizado. Já aqui pelo campo das palavras escritas não é lá do meu agrado! Na verdade, não é nada do meu agrado e precisão. Necessidade mesmo. Muita coisa precisa brotar aqui nem que seja só pela sensação de ter arrancado fora. É uma necessidade... Sabe quando a gente se mostra pra se proteger? Eu sinto que é isso, uma proteção que eu crio em mim com as palavras que criei pra dar rumo aos meus sentimentos. Eu tô sempre escrevendo com base no sentimento, por isso que pra escrever roteiro é um parto! Eu já anotei algumas ideias, imaginei outras, mas nada saiu além d'A Força. Quantas vezes eu já não pensei no que escrever mas não escrevi? Isso é cruel. Eu preciso ceder a essa necessidade como se cede a um desejo. Eu amo ceder aos meus desejos, me sinto vivo! E questionar esse sentimento é como questionar o meu corpo e os seus caminhos. Questionar? Eu tenho mais o que fazer com ele! ...
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